Lula encampou megaoperação contra PCC em resposta a Trump; entenda

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Diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues junto dos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Fernando Haddad (Fazenda), em direção à coletiva de imprensa no Palácio da Justiça sobre a "Operação Carbono Oculto", contra atuação do PCC nos setores de combustíveis e financeiro - Gabriela Biló/Folhapress

O governo federal encampou a megaoperação contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) deflagrada na quinta-feira (28) no ramo de combustíveis como forma de desmontar os ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a suposta apatia brasileira no combate do crime organizado.

A escalada do Planalto, no entanto, gerou desconforto no Palácio dos Bandeirantes. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, chegou a fazer uma publicação em suas redes sociais com elogios ao Gaeco e às polícias estaduais (civil e militar).

Na Secretaria de Fazenda de São Paulo, o clima foi igual. O estado foi o único a implementar políticas efetivas de combate, como o programa de solidariedade tributária —em que o posto é obrigado a pagar o imposto devido de distribuidora barrada por fraude ou sonegação caso compre dela o combustível.

As investigações, segundo os técnicos da secretaria, começaram em São Paulo, que concentrou 50 alvos. Só depois elas partiram para outros estados e esferas da economia, resultado de investigações do Ministério Público de São Paulo e do Gaeco.

Assessores do Planalto afirmam que, apesar do desconforto causado pela disputa em torno do protagonismo da operação, o governo quis explorá-la para desgastar Trump, que acusou o Brasil de não combater o crime organizado em seu intento de fragilizar o país após o tarifaço.

O anúncio, envolvendo altos escalões do governo federal, serve de resposta a um intento do governo dos EUA de classificar facções criminosas como grupos terroristas.

Ainda segundo relatos, representantes do governo Trump estiveram em Brasília, em maio deste ano, interessados em incluir facções, como PCC e Comando Vermelho, na lista de grupos terroristas.

Isso abriria espaço para ingerências dos EUA no país e o Brasil sinalizou que a reclassificação não ocorreria. O argumento foi o de que a legislação brasileira não contempla esse tipo de classificação e que há outras formas de combater grupos armados.

Nas justificativas para a imposição de tarifas ao Brasil, o governo dos EUA incluiu o combate às organizações criminosas.

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