Lula recebeu conselho de equipe para evitar economia em falas de Natal e fim de ano; entenda
Pronunciamento do presidente Lula na segunda-feira (23/12) - Reprodução Youtube
A ausência do tema da economia no pronunciamento de Natal de Lula não foi gratuita. O presidente foi aconselhado fortemente a evitar o assunto até o fim do ano —especialmente, como gosta de fazer, de relembrar os benefícios propostos à população mais pobre e aos trabalhadores que implicam em mais gastos públicos.
COISAS BOAS
As datas de fim de ano propiciam ao presidente diversas oportunidades de manifestação, e o natural impulso de propagar notícias boas e populares.
COISAS BOAS 2
Lula desejava reforçar, nas manifestações de fim de ano, o aumento real do salário mínimo, a baixa taxa de desemprego e a proposta do governo de ampliar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5.000. Recebeu a recomendação de desviar dos assuntos.
NO GERAL
No pronunciamento de Natal veiculado na TV e pelas redes, por exemplo, fez afirmações genéricas como “o Brasil tem hoje uma economia forte, que continua a crescer. Um governo eficiente, que investe onde é mais importante: na qualidade de vida da população brasileira” e “fizemos muito, e ainda temos muito a fazer”, sem citar políticas específicas.
MODERAÇÃO
O presidente ainda pode fazer novas falas até o dia 31 de dezembro, mas a expectativa é a de que ele siga os conselhos e siga adotando o mesmo tom do Natal ao se manifestar.
FOGUETE
Neste mês, o dólar chegou a bater nos R$ 6,30 depois que o governo anunciou seu projeto de ajuste fiscal ao mesmo tempo em que levou a público a ideia de aumentar a faixa de isenção do IR. Somadas a fatores externos, as propostas causaram turbulência ainda não superada.
FOGUETE 2
O pacote do governo e a reforma tributária foram aprovados pelo Congresso, mas nem assim dólar arrefeceu. A equipe econômica acena com a possibilidade de mais cortes de gastos. Não seria a hora, portanto, de Lula relembrar as benesses concedidas, que poderiam ser exploradas como um suposto descompromisso com a austeridade.