Lula sugere fazer um cafuné na mulher ou no marido antes de pegar o celular

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Lula tira foto com pessoa fantasiada de Zé Gotinha e outras autoridades no Hospital Federal Cardoso Fontes, no Rio - Ricardo Stuckert /PR

por Folha de S.Paulo

Antes de ser homenageado no Carnaval da Marquês de Sapucaí no domingo (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou um centro de emergência em um hospital do Rio de Janeiro e disse que 2026 será o ano de destruir a mentira.

Ele fez um discurso no qual defendeu estabelecer regras para o debate político em ano eleitoral e criticou o uso excessivo do celular, sugerindo ao público “fazer um cafuné” no marido ou na mulher em vez de pegar o aparelho ao acordar.

Lula visitou o Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, zona sudoeste do Rio, acompanhado do prefeito Eduardo Paes (PSD), do ministro Alexandre Padilha (Saúde) e de outras autoridades, incluindo a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial) e a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade.

“Este é o ano em que a gente pode dizer o seguinte: o Brasil se encontrou consigo mesmo, e a verdade vai destruir a mentira que foi contada nesse país durante tanto tempo”, disse o presidente em seu discurso de 17 minutos.

“Esse antes e depois é para vocês desmascararem qualquer pessoa que fala bobagem. Não vou citar o nome de ninguém, mas vocês sabem quem mente, vocês que vivem no celular o dia inteiro procurando notícia ruim.”

Diante de uma plateia composta por apoiadores, Lula declarou que “a mentira leva a gente à violência”.

“Você levanta às 5h, o que você faz? Pega o celular. Você levanta, vai dormir meia-noite, pega o celular. Gente, não dá pra fazer um cafuné no marido ou o marido fazer um cafuné na mulher, em vez de pegar o celular? A primeira coisa que eu faço quando acordo é fazer um cafunézinho na minha mulher. Eu não vou no celular, celular fica para depois das 8h”, disse.

Lula defendeu projetos do seu governo voltados à área social, como a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem recebe até R$ 5.000 mensais e a entrega de gás para 15,5 milhões de famílias.

HOMENAGEM NO CARNAVAL

Na noite deste domingo, o presidente será homenageado no Carnaval da Marquês de Sapucaí, depois de participar do Galo da Madrugada, no Recife, e da folia em Salvador no sábado (14). A Acadêmicos de Niterói abrirá os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro com uma apresentação sobre o petista.

A estreante do Grupo Especial traz o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A composição exalta a trajetória do mandatário e traz trechos como o grito de guerra “olê, olê, olá, Lula! Lula!”.

Como noticiou a Folha, o presidente determinou que ministros e auxiliares não participem do desfile.

A ordem não se aplica à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que será destaque na apresentação. Ela não ocupa cargo no governo federal, embora fique em evidência em agendas ao lado do marido.

Em decisão unânime, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitou na quinta (12) dois pedidos de representação por propaganda eleitoral antecipada contra o presidente, o PT e a Acadêmicos de Niterói.

A relatora do caso, Estela Aranha, indicada à corte eleitoral por Lula, avaliou que restringir previamente manifestações artísticas e culturais por eventual conteúdo político configuraria “censura prévia, indireta e restrição desproporcional ao debate democrático”.

A presidente do TSE, Cármen Lúcia, fez um alerta na mesma ocasião. Ela disse que o Carnaval não pode ser “fresta” para crimes eleitorais e que há um “risco muito concreto, plausível, de que venha acontecer algum ilícito” no caso, o que seria analisado pela Justiça Eleitoral.

“Não parece ser um cenário de areias claras de uma praia. Parece mais areia movediça. Quem entra, entra sabendo que pode afundar”, afirmou a presidente do TSE.

Colaboradores de Lula admitiram à Folha, sob reserva, preocupação com a repercussão do desfile. Além dos riscos de rebaixamento da escola e vaias no percurso, eles avaliam ser um desgaste desnecessário, sem nenhum retorno político.

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