Desde então, porções dos dois partidos mais ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protestaram, como aconteceu em relação ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ainda assim, membros do governo acreditam que podem conquistar ao menos 60 votos dos 87 que os dois partidos têm, somados, na Câmara.
Quem sai
Nos planos do Centrão, Fufuca poderia ficar com o Ministério do Desenvolvimento Social. Como Lula resiste a demitir o aliado Wellington Dias e entregar a área social como moeda de troca política, caciques do partido já indicaram que aceitariam abrir mão do Bolsa Família, principal vitrine da pasta.
Já Silvio Costa Filho visa o Ministério do Esporte, mas Lula também não gostaria de demitir Ana Moser.
Lula, afirmam aliados, gostaria de decidir quem cai sem tanta exposição pública, para não perder o apoio dos demissionários. Por isso, o presidente quer ganhar ao menos mais uma semana para negociar.
Na fritura inevitável que resulta dessa negociação, além de Moser e Dias, estão ministros como: Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia, que é da cota do PCdoB; Márcio França (PSB), dos Portos e Aeroportos; Silvio Almeida, dos Direitos Humanos; e até o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da Indústria e Comércio.
Não fica só na Esplanada
A negociação pela ampliação da base parlamentar do governo passa por mais cargos, além do comando de ministérios. O PP de Lira também está de olho na Caixa Econômica Federal, hoje chefiada por Rita Serrano. O governo até topa, mas gostaria de manter uma mulher como presidente do banco público, de preferência uma funcionária de carreira.
Uma indicação mais política pode vir para a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o que daria ao Centrão ao menos um pouco do gordo orçamento do Ministério da Saúde, que foi o grande sonho do grupo de Arthur Lira, mas Lula nunca quis ceder.