Mãe de motorista de Porsche manteve dívida por 17 anos e só pagou quando teve carro bloqueado na Justiça
Fernando Sastre de Andrade Filho (foto) é o motorista do Porsche envolvido no acidente que matou um motorista por aplicativo. — Foto: Reprodução/TV Globo
A mãe do condutor do Porsche que causou a morte de um motorista de aplicativo em março, na capital paulista, manteve uma dívida com uma universidade por 17 anos e só pagou o montante quando teve o seu carro bloqueado pela Justiça.
Daniela Cristina de Medeiros Andrade tinha um débito com a Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) desde 2006. Ela era aluna da instituição. O valor original da dívida era de R$ 4.471,07, referente ao saldo de mensalidades atrasadas e não pagas dos meses de agosto, setembro, outubro e novembro daquele ano.
A instituição de ensino acionou a Justiça. Daniela só quitou a dívida após ter o seu automóvel, um Jeep Renegade, bloqueado em decisão judicial proferida em maio do ano passado.
O valor total devido em abril de 2023 era de R$ 35.850,28, devido a juros e multas. Daniela saldou a dívida por R$ 25.095,00 —ou seja, com desconto de cerca de R$ 10 mil— após um acordo entre as partes, segundo documentos do processo obtidos pela coluna.
Os advogados Elizeu Soares de Camargo Neto e João Victor Maciel Gonçalves , que representam Daniela, afirmam, em nota “que a dívida está paga, e o assunto resolvido”.
Na semana passada, a Promotoria de São Paulo denunciou seu filho, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, por homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssima, ambos por dolo eventual.
Ele dirigia um Porsche a 156 km/h quando bateu na traseira do carro do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, 52, que morreu na madrugada de 31 de março.
Daniela é citada no relatório como coautora no crime de fuga do local. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirma que ela tentou atrapalhar as investigações.
A Promotoria e Polícia Civil solicitaram a prisão preventiva de Fernando, que foi negada na terça-feira (30/4) pelo juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri de São Paulo.
Após o acidente que causou a morte do motorista de aplicativo, Fernando afirmou para policiais no local que não se lembrava do que tinha acontecido.
Imagens de câmeras corporais dos agentes mostram o jovem ao lado da mãe por volta das 3h do dia 31 de março.
Daniela afirmou às autoridades policiais que levaria ele até o hospital. Porém, quando os agentes foram até o estabelecimento, descobriram que o empresário não havia passado lá.
De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), houve falha de procedimento dos policiais que atenderam a ocorrência pelo fato do motorista não ter sido submetido ao bafômetro.
O dono do Porsche se apresentou na delegacia na tarde de segunda, mais de 30 horas após a colisão.