Mãe de suposta vítima de estupro pelo médico Fernando Cunha Lima clama por justiça após depoimento da filha; assista entrevista
Pediatra Fernando Cunha Lima é suspeito de estuprar uma paciente de 9 anos de idade durante uma consulta, em João Pessoa — Foto: TV Câmara/Reprodução
Em uma entrevista concedida à TV Tambaú/SBT na terça-feira (29/10), a mãe de uma menina de 9 anos, suposta vítima de abuso sexual pelo pediatra Fernando Paredes Cunha Lima, expressou sua expectativa em relação ao início de uma possível solução para o caso de sua filha. A luta por justiça começou em julho.
A mãe relatou que a filha prestou depoimento na terça (29/10). “Esperamos que a justiça seja feita. Sabemos o que ele cometeu e, de certa forma, estamos sendo esquecidas. As vítimas estão sendo esquecidas até agora”, desabafou.
A descoberta do suposto abuso foi um processo doloroso para a menina, que inicialmente não compreendia a gravidade do suposto crime. “Ela estava muito assustada e não tinha entendimento do que estava acontecendo. Foi somente após sessões com a psicóloga que ela começou a perceber a maldade nos atos dele”, explicou a mãe.
O depoimento da menina foi um momento de alívio para ela. “Hoje, ela disse: ‘Mãe, acabou, acabou, acabou. Não vou mais passar por isso’. Eu disse: ‘Não, não vai. Acabou hoje o sofrimento'”, contou a mãe, emocionada.
A mãe também destacou a importância do trabalho da psicóloga no tratamento do trauma da filha. “Todo dia, tínhamos que trabalhar um pouco nela, essa questão do trauma. Não só nós, mas principalmente a psicóloga”, afirmou.
A mãe clama por uma punição mais severa para o pediatra. “Quero ele preso pelo que fez, não só com a minha filha, mas pela justiça, com todas as outras crianças, e por muitas que não tiveram voz também”, concluiu.
Fernando Paredes Cunha Lima passou por audiência de instrução na terça-feira (29/10). Segundo o advogado do pediatra, 9 pessoas foram ouvidas: duas supostas vítimas e sete testemunhas.
Duas supostas vítimas e sete testemunhas foram ouvidas em primeira audiência de instrução de médico
A primeira audiência de instrução de Fernando Paredes Cunha Lima, médico acusado de estuprar crianças dentro do próprio consultório, em João Pessoa, foi finalizada no início da tarde da terça-feira (29/10). Duas supostas vítimas e sete testemunhas de acusação foram ouvidas durante a manhã. Por causa do grande número de testemunhas, a audiência continuará nesta quarta-feira (30/10).
A audiência foi realizada de forma híbrida – online e presencialmente – na 4ª Vara Criminal, no Fórum Criminal da capital. O médico responde judicialmente pelo estupro de seis crianças, mas o processo cuja análise se iniciou na terça-feira (29/10) envolve apenas quatro delas. Dessas quatro, somente duas supostas vítimas prestaram depoimento, pois as outras duas crianças ainda não têm consciência do suposto ocorrido.
O advogado do médico, Aécio Farias, afirmou em entrevista à TV Cabo Branco que o pediatra sempre negou as acusações e deverá provar a inocência de Fernando Cunha Lima no decorrer do processo judicial.
Ainda de acordo com informações da TV Cabo Branco, foram ouvidas uma menina de 9 anos e outra de 11 anos, supostas vítimas do médico. Antes da audiência de instrução, a mãe de uma das crianças afirmou que a filha está sendo acompanhada por psicólogos e que espera que o processo seja concluído em breve.
“Ela vai ser ouvida, ela faz parte do caso e ela teve ciência do que aconteceu. Temos a esperança de que isso se encerre hoje. Ela está sendo assistida por um psicólogo desde o ocorrido. Hoje, a psicóloga dela também está aqui para tentar fazer esse acompanhamento, mesmo que não na sala, mas recebeu ela aqui. É a forma que a gente tenta amenizar essa situação, para que ela não se sinta tão acuada e para que não se torne pior do que já está sendo”, afirmou a mãe.
Gabriella Cunha Lima, de 42 anos, é uma das testemunhas de acusação e conversou a equipe da TV Cabo Branco. Ela é sobrinha do médico e disse que também foi vítima de abuso sexual em 1991, quando tinha 9 anos de idade. Na época, não houve denúncia formal, mas ela afirma que o fato ocasionou um rompimento familiar.
“Eu espero que a justiça seja feita, eu espero que ele vá pra cadeia, que é isso que todo mundo espera. Quem é criminoso tem que estar preso”, afirmou Gabriella Cunha Lima.
A expectativa para esta quarta-feira (30/10) é que sejam ouvidos a última testemunha de acusação, as oito testemunhas de defesa, um assistente técnico que deve comentar a perícia do caso, e o próprio réu, Fernando Cunha Lima. A defesa do médico informou que ele está doente e participará da audiência em uma sala online.
por t5