Mais da metade dos lares da área rural ainda queima lixo no Brasil
Lixo acumulado à beira de estrada no interior de SP; queima de resíduos prevalece em domicílios rurais no país, diz IBGE - Zanone Fraissat - 24.set.24/Folhapress
Mais da metade dos domicílios localizados em áreas rurais do Brasil ainda recorria à queima de lixo como principal forma de descarte de resíduos em 2023. É o que indicam dados divulgados na sexta-feira (20) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No ano passado, a queima de lixo prevalecia em 51% dos lares fora das cidades. Isso equivale a 4,8 milhões de endereços de um total de 9,5 milhões no meio rural.
Há uma discrepância na comparação com os domicílios das áreas urbanas. Nas cidades, 0,4% dos lares ainda utilizavam a queima de lixo como principal opção em 2023. Considerando o total de endereços no Brasil, o percentual foi de 6,6% em igual período.
Os resultados ilustram a dificuldade que o país encontra ao tentar levar os serviços de coleta até as áreas mais afastadas dos centros urbanos.
O percentual de 51% é o menor já verificado no meio rural na série histórica divulgada pelo IBGE, mas pouco se alterou em relação a 2022 (51,2%).
A parcela era de 53,9% em 2016, ano inicial dos registros. A fonte das estatísticas é a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
“A área rural normalmente é mais afastada dos grandes centros, onde estão as empresas de limpeza. Então, talvez o custo de fazer a coleta em pontos mais distantes seja proibitivo para que os municípios aumentem a prática na região rural”, afirmou William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE.
O técnico acrescentou que, devido às dificuldades de recolhimento dos resíduos, também há uma ação “cultural” de realizar a queima de lixo em propriedades do interior do país.
Segundo as estimativas do IBGE, 14,5 milhões de pessoas viviam em domicílios rurais onde essa opção de descarte prevalecia. O contingente correspondia a 52,4% da população total no meio rural (27,7 milhões).