Malafaia acusa Damares de buscar ‘proveito político’ ao ligar igrejas ao escândalo do INSS
Pastor Silas Malafaia. Foto: PR/Isac Nóbrega
por Folha de S.Paulo
O pastor Silas Malafaia acusou a senadora Damares Alves de tentar “tirar proveito político” da CPMI do INSS ao falar em “grandes igrejas envolvidas nessa falcatrua”.
Ele divulgou na quinta (15) um vídeo para “desmascarar” Damares, que posaria como “paladina da moralidade” ao denunciar igrejas e pastores.
Segundo ele, não há nenhuma grande igreja implicada, apenas duas igrejas pequenas, possivelmente criadas para lavagem de dinheiro. E também um único líder de maior projeção citado, André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha —na qual Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é pastor.
De acordo com a lista divulgada pela senadora, são mencionadas nominalmente como alvos de pedidos de quebra de sigilo as igrejas Adoração Church, Assembleia de Deus Ministério do Renovo, Ministério Deus é Fiel Church e Igreja Evangélica Campo de Anatote.
Entre os líderes listados há nomes como Valadão, Zettel e André Fernandes, esse último com certa notoriedade no segmento —era da Lagoinha até pouco tempo.
Malafaia disse à Folha que chegou a consultar o presidente da CPMI, porque “até nos ajuda a denunciar quem está na lama”. Tirando Valadão, teria mais “pastor de raça miúda” e “igrejas menores”.
Damares estaria, de acordo com Malafaia, “fazendo o serviço para a esquerda”. As denúncias partiram de parlamentares do PT e do PSOL, que “nos odeiam, nos denigrem e querem tentar nos enxovalhar”, diz.
“Ela diz que tem grandes igrejas, não tem nenhuma. Diz que fizeram lobby para calar ela. Eu desafio, então: dá o nome de quem fez o lobby, aí eu perguntei ao presidente [da CPMI] Carlos Viana [senador pelo Podemos-MG], que é evangélico: você sofreu algum lobby de alguma liderança? ‘Não, pastor.’”
Damares Alves tornou pública uma lista contendo instituições religiosas e líderes evangélicos que estão sob investigação por supostas fraudes no INSS. Essa divulgação ocorreu após cobranças públicas de Malafaia, que criticou a parlamentar por mencionar o envolvimento de grandes denominações sem especificar os nomes.
A senadora disse nesta semana que, embora o cenário cause “profundo desconforto e tristeza”, a comissão enfrenta fortes pressões e lobbies para interromper o avanço das apurações. Essa fala irritou Malafaia, que decidiu então criticar publicamente a colega de fé.