Membro da ‘Abin paralela’ lamentou não poder usar FirstMile para monitorar ex-sócio de Jair Renan: ‘Agora faz falta’

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Jair Renan Bolsonaro. Foto: Reprodução

Um militar investigado pela Polícia Federal (PF) pela suspeita de integrar uma estrutura paralela dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) lamentou não poder utilizar mais a ferramenta FirstMile, que era utilizada para monitorar a localização de pessoas. O objetivo era acompanhar os passos de um ex-sócio de Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O FirstMile foi comprado pela Abin no fim do governo de Michel Temer e utilizado durante parte da gestão de Bolsonaro para monitorar a localização de pessoas por meio da conexão de dados do celular, como relevou o GLOBO no ano passado. A utilização da ferramenta está sendo investigada pela PF na chamada Operação Última Milha.

Em representação que motivou a quarta fase da operação, realizada na quinta-feira passada (11), a PF destaca um diálogo que mostraria o “pesar pela falta do sistema”, que parou de ser utilizado em 2021. A troca de mensagens ocorre entre o militar do Exército Giancarlo Gomes Rodrigues e o policial federal Marcelo Araújo Bormevet, que trabalharam na Abin durante o governo Bolsonaro. Os dois foram presos na quinta-feira (11).

Na conversa, em março de 2021,Rodrigues e Bormevet levantavam informações sobre o empresário Allan Lucena, que foi sócio de Jair Renan. Bormevet afirma que precisava saber onde Lucena morava. Rodrigues responde que, para confirmar se os endereços que tinham estavam corretos, “só montando uma vigilância”. Depois, acrescenta: “Agora faz falta o FirstMile”. O policial concorda: “Exatamente”.

Em seguida, o militar explica de que forma a ferramenta seria utilizada: “Colocava para monitorar o dia inteiro e preferencialmente a noite, aí saberíamos os passos deles”.

“A interlocução do militar Giancarlo com o seu chefe policial federal Bormevet revela o pesar pela falta do sistema First Mile, bem como a forma que o sistema First Mile era utilizado para monitorar alvos da Orcrim. A ação clandestina, neste sentido, (foi) realizada para monitorar o sr, Allan Lucena, ex-sócio do sr. Renan Bolsonaro”, diz a representação.

Empresário percebeu monitoramento

Um dia depois da conversa, Lucena procurou a Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) após perceber ter sido seguido por um carro. O suspeito, quando abordado, identificou-se como Luiz Felipe Barros Felix, agente da PF cedido para a Abin.

Ao ser chamado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos, Felix afirmou que o intuito era levantar informações sobre o paradeiro de um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil, que teria sido doado a Jair Renan e Lucena por um empresário do Espírito Santo interessado em ter acesso ao governo.

“O objetivo era saber quem estava utilizando o veículo”, afirmou Felix, em depoimento. “O objeto de conhecimento era para saber se os informes que pudessem trazer risco à imagem ou à integridade física do presidente eram verdadeiros ou não”, complementou ele, sem dar mais detalhes da operação.

Devido ao episódio, a PF afirmou que a Abin atrapalhou o andamento de uma investigação sobre Jair Renan pela suspeita de tráfico de influência. No mesmo relatório, de 2022, a PF afirmou não ter encontrado crimes e encerrou o caso.

Agora, na nova representação, a PF afirma que estrutura da “Abin paralela” foi utilizada para produzir provas a favor de Jair Renan nessa mesma investigação.

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