Mensagens e depoimento ligam senador a suspeitos de fraude na saúde yanomami

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Índios Yanomamis acompanham agentes ambientais durante operação contra garimpo em terra indígena na floresta amazônica em Roraima. Foto: Reuters

por JOÃO GABRIEL E DANIELLE BRANT

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal apura a relação entre o senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e investigados em um esquema de desvio de medicamentos destinados ao povo yanomami.

Documentos da investigação, aos quais a reportagem teve acesso, reforçam suspeitas de proximidade entre o parlamentar e os investigados. Há diálogo em que Mecias é chamado de “chefe” por um ex-funcionário do Dsei (Distrito de Saúde Indígena) Yanomami. A PF apura o contexto do emprego do termo.

O nome de Mecias também foi citado em um depoimento prestado à polícia por um ex-coordenador do Dsei, que afirmou ter sido indicado ao cargo pelo parlamentar, ainda na época em que o general Eduardo Pazuello era ministro da Saúde de Jair Bolsonaro (PL).

Em nota, o senador afirma que “não tem responsabilidade sobre quaisquer possíveis atos ilícitos de terceiros” e que cabe à PF ao Ministério Público a apuração dos fatos “para um posterior julgamento da Justiça”. “Não se pode julgar, nem condenar alguém, sem o devido processo legal”, diz.

Quem chama Mecias de Jesus de “chefe” é Cândido Lira, então assessor do coordenador do órgão, Ramsés de Almeida.

De acordo com os documentos da PF, Cândido entra em contato com o senador para informá-lo da sua exoneração. Diz ainda que “nossas pessoas” estão sendo demitidas.

O ex-assessor também liga para o filho de Mecias, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Jhonatan de Jesus, para avisá-lo de que foi mandado embora do seu posto.

O material traz ainda conversas de WhatsApp de uma ex-funcionária do Dsei com colegas de trabalho. Sem resposta, ela diz, mais de uma vez, que recorrerá a uma pessoa de nome Mecias caso não tenha retorno. Nos diálogos, de março de 2022, ela não cita sobrenomes.

O desvio de medicamentos do Dsei Yanomami foi descoberto pelo MPF (Ministério Público Federal). Em novembro do ano passado, quando a situação sanitária na região já estava crítica, a PF realizou uma operação sobre o esquema.

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