‘Minha filha não teve chance nem de se levantar’, diz mãe de mulher vítima de feminicídio, em Marizópolis, PB
Mãe de vítima de feminicídio conversou com a reportagem da TV Paraíba — Foto: Beto Silva/TV Paraíba
Maria Mendonça da Silva, a mãe de Francisca Carla Veríssimo Ramalho, vítima de feminicídio em Marizópolis, no Sertão, no dia 6 de maio, enquanto estava no trabalho, afirmou que a filha morreu sem chances de defesa. Além de Carla, o dono do estabelecimento onde ela trabalhava, o empresário Adriano Pereira Alves, também foi morto a tiros.
“Minha filha não teve chance de nem se levantar da cadeirinha que ela estava brincando com as crianças. Não sei como mantiveram a vida daquelas criatura, daquelas criancinha”.
No dia 14 de julho, o sargento da Polícia Militar José Almi Pinheiro foi denunciado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) pela morte de Carla e de Adriano. Ele e Carla tiveram um relacionamento, mas a mulher havia terminado há cerca de dois meses antes do crime. A Justiça acatou a denúncia e ele virou réu na terça-feira (22/7).
A defesa do Sargento José Almi Pinheiro informou o caso se trata “de um episódio isolado e profundamente lamentável, cujas circunstâncias reais e jurídicas ainda serão devidamente apuradas durante a instrução processual […] A defesa reitera que a verdade real dos acontecimentos será devidamente demonstrada nos autos processuais, com base em provas técnicas e sob os cuidados do Poder Judiciário, que é o foro adequado para análise dos elementos que envolvem o caso”.
A denúncia detalha que Carla estava na calçada com três crianças quando o sargento chegou com os faróis do carro apagados. Ele desceu armado do veículo e atirou quatro vezes contra ela, inclusive quando já estava no chão. Em seguida, trocou de arma e atirou 10 vezes contra Adriano, que havia se escondido no banheiro do local.
Na época do caso, câmeras de seguranças registraram a ação do acusado. Agora, novas imagens foram divulgadas.
Relacionamento abusivo
Em entrevista à TV Paraíba, a mãe e o irmão de Carla contam que ela relatava ciúmes e até agressões físicas por parte de José Almi Pinheiro. Em um dos episódios, antes do término, a mãe percebeu que a filha estava com um olho roxo.
“Um dia, ela chegou lá em casa, aí tomou banho e eu disse: ‘Carlinha, o que é isso roxo na tua cara? Nos teus olhos?’, ‘Não, mãe, foi uma dor de cabeça que deu em mim’. Eu disse ‘minha filha, conte as coisas direito’. Aí ela começou a chorar, e disse ‘mãe, foi um murro que ele deu em mim'”.
Mesmo após a separação, Maria Mendonça relata que a filha recebia ligações e mensagens do ex-marido com ameaças. “Ele jurando ela, sem ela querer me contar”. Carla não chegou a denunciar José Almi Pinheiro.
Ela estava trabalhando há pelo menos quinze dias no estabelecimento onde foi morta, segundo a mãe, com o objetivo de juntar dinheiro para comprar uma moto. Na noite em que foi assassinada, junto com Adriano, dono do local, a mulher estava jogando dominó com três crianças quando o homem chegou atirando. As crianças não ficaram feridas.
