Ministério das Comunicações contradiz PF e diz que alvo no caso do INSS nunca trabalhou na pasta

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Polícia Federal deixa a casa do senador Weverton Rocha, durante cumprimento de operação de busca e apreensão no local - Pedro Ladeira - 18.dez.25/Folhapress

A Polícia Federal apontou em sua apuração sobre o envolvimento de Gustavo Marques Gaspar na operação sobre fraude dos descontos associativos do INSS que ele teria sido nomeado para cargo no Ministério das Comunicações, mas a pasta diz que o investigado nunca atuou no órgão.

Gaspar atuou apenas como assessor do gabinete do ex-ministro Juscelino Filho quando ele exerceu o cargo de deputado federal.

Juscelino deixou o governo Lula em abril deste ano após ser denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sob acusação de corrupção passiva e outros crimes relacionados ao desvio de emendas, o que ele nega.

Também foi nomeado assistente parlamentar na liderança do PDT pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de buscas na nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Segundo trecho da decisão do ministro André Mendonça (STF) que autorizou os mandados de prisão preventiva e busca e apreensão e cita a PF, Gustavo Gaspar desempenha “papel de elevada relevância no núcleo político-institucional associado às atividades da organização criminosa” liderada pelo empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Em outra referência, Weverton é chamado de compadre de Juscelino e um dos fiadores da indicação do ex-ministro para a pasta das Comunicações, ao lado do senador Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), hoje presidente do Senado.

O documento cita a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que afirmou que Gaspar seria um funcionário fantasma.

“Como demonstra a PF, Gustavo foi nomeado para cargos em comissão no Legislativo e no Ministério das Comunicações, com ligações diretas ao ex-ministro Juscelino Filho, que, por sua vez, teria supostamente influenciado sua indicação à liderança do PDT no Senado”, indica a peça.

“Esse histórico revela que Gustavo possuía capacidade de articulação institucional e inserção em ambientes decisórios de relevo político, o que ampliava seu potencial de atuação no esquema ilícito, facilitando contatos, blindagens e aproximações úteis a Antonio Camilo.”

Procurado pelo Painel, o Ministério das Comunicações informou que Gustavo Marques Gaspar “nunca trabalhou na pasta”. No Diário Oficial da União também não há registros de qualquer cargo no ministério. As quatro menções encontradas tratam de nomeações e exonerações no âmbito do Senado.

Provas citadas no documento indicam que Gaspar se relacionava “intensamente” com Rubens Costa, funcionário do Careca do INSS, e “seus diálogos diziam respeito a atos de constituição de uma empresa e, também, a perguntas sobre o contador Alexandre Caetano, que também está envolvido com as empresas de fachada de Antonio Camilo”.

A representação da Polícia Federal inclui uma planilha enviada por Caetano para Rubens Costa que indicava entre as empresas com parceria com o Careca do INSS a GM Gestão de Documentos Empresariais, que tem Gaspar como sócio.

O texto diz ainda que em um disco rígido apreendido na casa do Careca do INSS em 23 de abril deste ano há planilhas com o controle de movimentação financeira de associações e de empresas do próprio Antonio Carlos, além de pagamentos a pessoas físicas e jurídicas. “Dentre os registros de pagamento de propina, há um no valor de R$ 100 mil em favor de ‘Gasparzinho'”.

Procurada, a assessoria do ex-ministro Juscelino Filho disse que ele “não é alvo de nenhuma investigação e sequer figura como suspeito no caso”.

“A menção feita refere-se exclusivamente a uma nomeação ocorrida em 2015 para o cargo de assessor parlamentar —procedimento regular à época e sem qualquer vínculo com os fatos atualmente apurados”, escreve. “Não é possível atribuir a Juscelino Filho responsabilidade por atos de terceiros, muito menos por condutas posteriores a relações institucionais encerradas.”

O Painel procurou a PF para saber sobre a contradição entre a informação do relatório e a do ministério, mas não houve retorno.

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