Ministra renuncia após dizer que ‘não há mendigos’ em Cuba, só gente disfarçada
A ex-ministra do Trabalho de Cuba Marta Elena Feito Cabrera, durante uma conferência da OIT - Pierre Albouy/Divulgação OIT
Uma apresentação para deputados custou o emprego da agora ex-ministra do Trabalho e Previdência Social de Cuba, Marta Elena Feitó, que renunciou após afirmar que “não há mendigos” em Cuba, mas pessoas que se disfarçam de pedintes.
O escândalo com a funcionária do regime cubano começou após, na segunda-feira (14), durante uma reunião parlamentar, ela negar que as pessoas que vasculham latas de lixo procurem comida e questionar os limpadores de vidros de carros por procurarem “um modo de vida fácil”.
“Vimos pessoas que parecem mendigos, mas quando você olha para as mãos e as roupas que essas pessoas estão vestindo, estão disfarçadas de mendigos, elas não são. Em Cuba não há mendigos”, disse ela ao apresentar os programas sociais para enfrentar a pobreza na Assembleia Nacional.
“As pessoas que estão revirando latas de lixo não estão buscando comida, estão buscando matéria-prima [para reciclagem] e não estão pagando [tributos] por isso.”
As declarações rapidamente geraram críticas nas redes sociais e aumentaram a pressão pela renúncia da agora ex-ministra.
Até mesmo o presidente, Miguel Díaz-Canel, comentou o ocorrido, afirmando que a falta de sensibilidade ao lidar com a vulnerabilidade social é inaceitável e que a revolução deve cuidar de todos.
“São muito questionáveis a falta de sensibilidade e a importância da vulnerabilidade. A revolução não pode deixar ninguém para trás, essa é a nossa obrigação, nossa responsabilidade como militantes”, escreveu no X.
A TV do país divulgou uma nota oficial com a renúncia. “Como resultado da análise realizada pela direção do partido e do governo de Cuba, com Marta Elena Feitó Cabrera, sobre sua intervenção na reunião conjunta de duas Comissões Permanentes de Trabalho da Assembleia Nacional do Poder Popular, a companheira reconheceu seus erros e apresentou sua renúncia”, diz o texto.
“Este pedido foi submetido à consideração do Bureau Político e do Conselho de Estado, onde sua renúncia foi aprovada, com base na falta de objetividade e sensibilidade com que abordou questões centrais da atual gestão política e governamental, focada em abordar fenômenos da vida real que nossa sociedade nunca desejou.”