“O desmonte da participação social em âmbito do governo federal começou com o golpe em 2016, que destituiu uma presidenta legitimamente eleita, e se acentuou em 2018 com a vitória do candidato da extrema direita”.
Em seguida, ele criticou o governo Jair Bolsonaro (PL) e afirmou não ter havido participação social alguma na Presidência da República nos últimos quatro anos. “O governo que se encerrou em dezembro de 2022 destruiu, neutralizou ou desvalorizou o alcance de todo o sistema nacional de participação social”, disse.
Em sua primeira viagem internacional depois da posse festiva de 1º de janeiro e dos ataques de bolsonaristas aos prédios dos três Poderes da República, Lula chamou duas vezes o ex-presidente Michel Temer (MDB) de “golpista” – a primeira na Argentina, a segunda, no Uruguai.
Em resposta, Temer disse que o petista “parece insistir em manter os pés no palanque e os olhos no retrovisor, agora tentando reescrever a história por meio de narrativas ideológicas”.
Conselhos bolsonaristas
No mesmo discurso, o ministro Márcio Macêdo disse que conselhos enfraquecidos ou desativados pela gestão Bolsonaro serão reabilitados, a exemplo do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e do Conselho Nacional Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). “O governo eleito já deu mostras de que vai reverter este quadro”, informou o ministro.
“Depois de termos derrotado o Bolsonaro nas urnas, de forma legítima, vamos derrotar o bolsonarismo na sociedade, vamos derrotar o fascismo”, disse Macêdo.
Evento com movimentos sociais
Na terça-feira (31/1), Lula assinou dois decretos que criam o Conselho de Participação Social e o Sistema de Participação Social Interministerial. Esses instrumentos visam, segundo o governo, ampliar a consulta à sociedade e restabelecer as pontes com os movimentos sociais e as organizações da sociedade civil.
O conselho será composto por 68 representantes de movimentos e entidades, com reuniões a cada três meses.