Ministro da Saúde diz que conflito no Oriente Médio pode impactar cadeia de produção e encarecer remédios no Brasil
Ministro Alexandre Padilha. Foto: Estadão
por g1
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse na terça-feira (3) que o governo está monitorando os impactos da guerra no Oriente Médio na cadeia de produção de medicamentos. Segundo ele, o Brasil depende de insumos importados por rotas aéreas daquela região.
A informação foi dita em coletiva de imprensa durante uma visita a uma fábrica de medicamentos em Valinhos, no interior de São Paulo, na companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin e demais autoridades — saiba mais abaixo.
Segundo ele, o conflito pode impactar a logística de transporte dos princípios ativos, vindos especialmente da Índia, por aeroportos do Oriente Médio. Para o ministro, eventuais mudanças de rotas poderiam alterar os custos da cadeia.
“A gente está monitorando essa situação. Vários produtos que são produzidos mesmo aqui no Brasil, os princípios ativos vêm, por exemplo, da Índia, que pode ter circulação afetada. Você tem uma parte que a cadeia logística vem para os aeroportos do Oriente Médio. Então, você pode ter até a mudança de rota, isso pode impactar nos custos. Então, toda guerra faz mal à saúde. Essa guerra pode fazer mal à saúde global, não só do Brasil, a saúde do mundo inteiro”, disse o ministro.
Tanto o ministro quanto o presidente Lula reforçaram a importância do desenvolvimento e produção nacionais de medicamentos para assegurar autonomia frente a instabilidades internacionais.
Visita à fábrica de medicamentos

Uma comitiva presidencial visitou a fábrica de medicamentos Bionovis, em Valinhos. Além de Lula e Padilha, integravam o grupo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Fernando Haddad e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
💉A fábrica é responsável por desenvolver e produzir medicamentos biológicos de alta complexidade e também fornece mais de 19 milhões de frascos e seringas ao SUS.
Em sua fala, o presidente também citou o conflito bélico e as mortes no Oriente Médio para defender políticas públicas na área da saúde em defesa da vida.
“Se você ligar a televisão de noite, está falando de guerra. Se você ligar a televisão de manhã, está falando de morte. Está falando de drone, está falando de mísseis, está falando de invasão. E aqui nós estamos falando de salvar vidas. Isto aqui é um drone de remédio para o povo brasileiro. Isto aqui é o nosso míssil [exibindo medicamento de alto custo] Não o míssil para matar, o míssil para salvar”, disse o presidente.
Na visita, recebida pelo presidente da Bionovis, Odir Finotti, as autoridades conheceram as instalações da empresa, as áreas de pesquisa e desenvolvimento e os avanços tecnológicos aplicados à produção de biofármacos.
A empresa foi fundada em 2012 a partir da união dos laboratórios Aché, EMS, Hypera Pharma e União Química como um consórcio farmacêutico de biotecnologia. Atualmente, a Bionovis conta com 12 parcerias com parceiros internacionais e laboratórios públicos.