Ministros avaliam que é melhor Trump implementar taxas já em agosto do que suspense sangrar o Brasil; entenda
Trump assina ordens executivas, em 20 de janeiro de 2025. — Foto: Jim WATSON / POOL / AFP
Ministros e autoridades da área econômica do governo Lula dizem hoje torcer para que Donald Trump oficialize de uma vez, já no dia 1º de agosto, a ameaça de sobretaxar em 50% todos os produtos brasileiros vendidos aos EUA.
De acordo com um integrante da equipe, já que a taxação vai ocorrer mesmo, é melhor que ela seja anunciada logo em vez de retardada por mais algum tempo, conforme a expectativa de alguns setores.
Um empresário ouvido pela coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, endossou a posição invocando a célebre frase: ‘É melhor um final horroroso do que um horror sem fim”.
Na visão deles, a realidade nua e crua afastaria o clima de incerteza que imobiliza o governo à espera da decisão de Trump.
As providências necessárias para amenizar os efeitos setoriais das sobretaxas começariam a ser tomadas, evitando que a economia se deteriorasse em lenta agonia.
O dólar já daria o salto inevitável, fazendo com que governos e agentes logo calculassem os reflexos imediatos na inflação, nos juros e em seus impactos em toda a economia.
A pior coisa e a insegurança, que paralisa as cadeias produtivas, torna inseguro o embarque de mercadorias que chegarão aos EUA daqui a apenas 30 dias e aumenta a oscilação do dólar, afirmou um integrante do primeiro escalão do governo à coluna.
Uma vez anunciada a sobretaxa, o governo e setores econômicos conseguiriam também atuar nos EUA de forma mais objetiva, buscando exceções e tarifas mais baixas para produtos como óleo bruto, café e laranja, entre outras consideradas factíveis.
O governo mobilizou ministros como Geraldo Alckmin (Indústria e Desenvolvimento) e Fernando Haddad (Fazenda) para buscar diálogo efetivo com o governo de Trump. Até agora, em vão.
O chanceler Mauro Vieira desembarcou em Nova York nesta semana, mas ainda espera uma sinalização do governo norte-americano para viajar a Washington e iniciar conversas mais efetivas para que a sobretaxa seja suspensa.