Luís Roberto Barroso, hoje presidente do STF, dizia que Bolsonaro não representaria um risco às instituições porque os militares atuariam para conter qualquer investiga golpista. Edson Fachin, por outro lado, pedia para os colegas terem cautela e costumava alertar sobre a necessidade de manter uma relação institucional saudável com Bolsonaro.
No primeiro ano do mandato de Bolsonaro, em 2019, a presidência do STF era exercida por Dias Toffoli, um dos poucos que manifestava preocupação com a suposta indiferença do chefe do Executivo para com a democracia. Toffoli confidenciava que nunca achou a ameaça de fechar o STF, feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro, como algo da “boca para fora”.
O ministro seguiu à risca o conselho que lhe foi passado por Fernando Henrique Cardoso, de manter proximidade e diálogos frequentes com Bolsonaro. Toffoli abriu as portas de sua casa para Bolsonaro comer uma pizza e assistir a um jogo do Palmeiras, por exemplo. Segundo o livro, era a forma como ele, FHC e José Sarney acreditavam que poderiam “conter os danos” durante o mandato de Bolsonaro.