O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, disse que o relato de Cid justificaria a prisão do ex-presidente.
Já o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da presidência da República, Paulo Pimenta, classificou as revelações como uma “bomba”.
A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), disse que Bolsonaro “tinha a minuta do golpe nas mãos”. Segundo fontes com acesso à investigação, em uma das situações descritas por Cid, o ex-chefe do Executivo recebeu uma minuta golpista.
À Polícia Federal, Cid afirmou que a reunião com as Forças Armadas teria ocorrido quando Bolsonaro ainda estava na presidência, após as eleições do ano passado, em que Lula foi eleito.
No encontro, a cúpula da instituição teria sido consultada sobre a possibilidade de uma intervenção militar.
A resposta da Marinha, ainda segundo Mauro Cid, foi de que as tropas estavam prontas para agir, apenas aguardando uma ordem dele. Já o comando do Exército não teria aceitado o plano.
Prevista pela lei desde 2013, uma delação premiada pode ser firmada entre investigados e o Ministério Público (autoridade judicial) ou as polícias federal e civil.
O mecanismo não constitui uma prova, em si, mas um meio de obtenção de provas. O relato precisa ser confirmado por outras testemunhas ou evidências para ser validado na investigação.
O que dizem as defesas
Em nota, a defesa de Mauro Cid cita as matérias da imprensa sobre “possíveis reuniões com a cúpula militar para avaliar golpe no país” e afirma que “não tem os referidos depoimentos, que são sigilosos, e por essa mesma razão não confirma seu conteúdo”.
Os advogados de defesa de Jair Bolsonaro (PL) emitiram um comunicado alegando que o ex-presidente “jamais compactuou” com qualquer movimento ilegal. Eles afirmam que o ex-presidente “durante todo o seu governo jamais compactuou com qualquer movimento ou projeto que não tivesse respaldo em lei, ou seja, sempre jogou dentro das quatro linhas da Constituição Federal”.
A defesa ainda alega que Bolsonaro “jamais tomou qualquer atitude que afrontasse os limites e garantias estabelecidas pela Constituição e, via de efeito, o Estado Democrático de Direito”.
Por fim, os advogados afirmaram que vão adotar “medidas judiciais cabíveis contra toda e qualquer manifestação caluniosa, que porventura extrapolem o conteúdo de uma colaboração que corre em segredo de Justiça, e que a defesa sequer ainda teve acesso”.
A Marinha do Brasil divulgou uma nota à imprensa esclarecendo que “não teve acesso ao conteúdo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid” e “não se manifesta sobre processos investigatórios em curso no âmbito do Poder Judiciário”.
No comunicado, a Marinha ainda reafirma que “pauta sua conduta pela fiel observância da legislação, valores éticos e transparência”. E reitera que “eventuais atos e opiniões individuais não representam o posicionamento oficial da Força e que permanece à disposição da justiça para contribuir integralmente com as investigações”.
*Com informações de Elijonas Maia