
Infelizmente, nesta altura dos acontecimentos, não há mais condições de imaginarmos que qualquer decisão tomada por integrantes do Supremo Tribunal Federal se dê por motivos jurídicos ou mesmo humanitários. Sobretudo quando se trata do ministro Alexandre de Moraes, por R$ 129 milhões de motivos enredado no escândalo do Banco Master. Logo, pelas lentes do cálculo político, deve ser vista a decisão de conceder prisão domiciliar por 90 dias ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Devido às relações para lá de atípicas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Moraes não possui mais condições, perante a sociedade, de se manter como um algoz de ética impoluta. Um inflexível defensor da lei (e da democracia) capaz de fazer qualquer coisa, como censurar ou mandar prender, e esperar aplausos no final. Agora ele está acuado e precisa ceder em alguns pontos.
Pelas informações da junta médica, as condições de saúde de Jair Bolsonaro são delicadas. E, sejamos francos, qualquer nova intercorrência grave que ocorresse com o ex-presidente seria imediatamente debitada na conta do juiz. Inclusive, um provável aumento no apoio eleitoral a Flávio Bolsonaro, o primogênito. É um peso muito grande nas costas do magistrado.
“Moraes nunca recua, sempre dobra a aposta”. A frase se tornou uma espécie de bordão do bolsonarismo, utilizada até por filhos do ex-presidente. Mas agora precisou dar um passo atrás. A verdade é que, neste momento, a prioridade do Supremo é livrar a própria pele e não arrumar (mais) problemas, nem que seja com os bolsonaristas.
Opinião de Fabiano Lana