Morre aos 80 anos Ieda Maria Vargas, a primeira brasileira a vencer o Miss Universo
Ieda Maria Vargas durante um concurso de beleza em novembro de 2010 no Rio Grande do Sul, e quando venceu o Miss Universo, em 1963 — Foto: Ricardo Duarte/Agência RBS e Divulgação/Miss Universe
A miss será cremada e o velório acontece em Porto Alegre (RS). As informações foram confirmadas pela sua filha, Fernanda Vargas, que revelou que a mãe teve um problema no coração.

Considerada um ícone no setor dos concursos de beleza, Ieda fez história ao tornar-se a vencedora da 12ª edição do Miss Universo, que aconteceu no dia 20 de julho de 1963, em Miami Beach, na Flórida (EUA). Na ocasião, um grupo de 50 candidatas disputou o título.
Natural de Porto Alegre, nascida em 31 de dezembro de 1944, Ieda tinha 18 anos quando venceu a competição. Ela completaria 81 anos na próxima semana.
Ieda entrou no mundo miss em 1962, quando venceu, aos 17 anos, a faixa de Rainha das Piscinas do Rio Grande do Sul. Na sequência, tornou-se Miss Porto Alegre e Miss Brasil, eleita em 22 de junho de 1963 no palco do ginásio carioca Macaranãzinho, que estava com a plateia lotada.
Ela disputou o nacional com outras 24 candidatas de outros estados do país, em cerimônia exibida ao vivo pela extinta TV Tupi. Menos de um mês após conquistar a faixa verde e amarela, venceu o Miss Universo.
Além de primeira brasileira a conquistar a coroa no mundial, ela é também é a segunda candidata da América do Sul a ocupar o trono. Ieda recebeu a faixa das mãos da argentina Norma Beatriz Nolan, titular de 1962, que morreu em agosto. Em 1º de agosto do ano seguinte, passou a coroa à grega Corinna Tsopei, vencedora do mundial em 1964, também realizado em Miami.
Após o reinado, a gaúcha viveu alguns anos nos Estados Unidos e, em 1968, estabeleceu-se em Porto Alegre, onde se casou com o empresário José Carlos Athanásio, que faleceu em 2009. Após ficar viúva, mudou-se para Gramado, na serra gaúcha, a cerca de 115 km da capital do estado.
Nos 40 anos de matrimônio, teve os filhos Enzo e Fernanda. Esta última é quem acompanhava a mãe em todos os seus compromissos de honra no mundo miss. Em 2000, aos 55 anos, Ieda sofre um AVC que a deixou com algumas sequelas, como uma leve dificuldade na fala.
Em julho de 2023, a cerimônia do Miss Brasil daquele ano a homenageou e celebrou os 60 anos de sua coroação. Mais recentemente, em fevereiro, Ieda coroou a piauiense Maria Gabriela Lacerda, 24, atual Miss Universe Brasil 2025.
Além dos filhos, Ieda deixa os netos Enzo e Carmela.
CONVIDADA PARA TRABALHAR EM HOLLYWOOD
Com a faixa de Miss Universo 1963, Ieda ganhou um prêmio em dinheiro e um contrato de um ano que incluiu residência em Nova York, enquanto realizava viagens por todo mundo —ao todo foram 21 países. Os pais dela, que estavam presentes na plateia da final, consideravam-na muito nova para tudo isso e exigiram da organização que acompanhassem a filha de perto durante todo o reinado.
No período, o ator britânico Peter Sellers, que foi um dos jurados do Miss Universo, chegou a oferecer à gaúcha um contrato para ser atriz de Hollywood, que ela declinou pois queria voltar para sua cidade, casar e ter filhos. Ele queria que ela fosse a estrela do filme “A Pantera Cor de Rosa” (1963).
Mesmo declinando da oportunidade, “a mulher mais bela do universo” ficou bastante famosa por aqui. De acordo com a imprensa da época, Ieda foi reverenciada quando chegou ao país após-vitória.
Porto Alegre parou para vê-la ir, de carro de bombeiros, do aeroporto ao Palácio Piratini, onde foi recebida pelo governador do estado na época, Ildo Meneghetti. Ela também foi recebida pelo presidente João Goulart, em Brasília, e desfilou no Rio de Janeiro, pela avenida Rio Branco.
Em entrevista ao jornal Folha em 1997, então com 52 anos, Ieda declarou: “Na minha época, ganhar o título era muito mais importante do que ser top model hoje. Era como ganhar a Copa do Mundo. As mulheres imitavam a miss, mas o processo não era tão rápido quanto é hoje com a top model”, comparou.