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A atriz Olivia Hussey Eisley, conhecida por seu papel de Julieta na adaptação cinematográfica Romeu e Julieta (1968), dirigida por Franco Zeffirelli, morreu na última sexta-feira, 27, aos 73 anos, em decorrência de um câncer de mama. A artista de origem argentina e britânica também atuou no clássico de terror slasher Noite do Terror (1973) e no suspense Morte Sobre o Nilo (1978). Ela deixou o marido, David Glen Eisley; os filhos, Alex, Max e India; e o neto, Greyson.
A polêmica de Romeu e Julieta
Em 2018, porém, Olivia e Leonard denunciaram abusos do diretor nos bastidores da produção em um processo contra a Paramount por exploração infantil. Os protagonistas alegaram que o diretor Franco Zeffirelli disse a eles que não haveria cenas de nudez e que seriam usadas roupas íntimas da cor da pele em uma cena dos amantes no quarto, mas o cineasta teria mudado de ideia e insistido para que eles atuassem nus “ou o filme falharia”.
Segundo a denúncia, Zeffirelli mostrou a eles onde a câmera seria posicionada e garantiu que nenhuma nudez seria fotografada ou divulgada no filme, mas imagens das nádegas de Whiting e dos seios de Hussey foram expostas. Por isso, eles alegam no processo que o diretor, morto em 2019, foi desonesto e que Whiting e Hussey foram filmados nus sem consentimento. Hussey, porém, chegou a declarar em 2018, que a cena era “necessária” para o filme, embora ainda fosse tabu nos Estados Unidos.
A denúncia também afirmava que a dupla sofreu “angústia mental e sofrimento emocional” nos anos seguintes e perdeu oportunidades de emprego. Eles buscavam uma indenização que se estipulada acima de 500 milhões de dólares. “Eles eram crianças jovens e ingênuas nos anos 1960, que não entendiam o que estava prestes a acontecer”, disse Solomon Gresen, advogado da dupla. “De repente, eles ficaram famosos em um nível que não esperavam e, além disso, foram violados de uma forma que não sabiam como lidar.”
Iniciado em 30 de dezembro daquele ano, o processo chegou em meio a uma onda de ações similares movidas na Califórnia, estimuladas por uma mudança na lei estadual que suspendeu temporariamente as limitações para denúncias antigas de abuso sexual infantil, levando casos datados desde a década de 1940 à Justiça. O processo foi indeferido em 2023, em parte por motivos de prescrição. Eles processaram novamente no início deste ano, mas o caso também foi indeferido em outubro, com o juiz concluindo que os atores haviam consentido com as cenas.