MPF processa a Globo e pede R$ 10 milhões por pronúncia incorreta da palavra ‘recorde’
Cesar Tralli, apresentador do Jornal Nacional, que teve pronúncia de palavra questionada por procurador - Reprodução/Globo
por Folha de S.Paulo
O Ministério Público Federal em Minas Gerais decidiu processar a Globo por um motivo curioso. Em uma ação civil pública movida pelo procurador Cléber Eustáquio Neves, a emissora é acusada de pronunciar de forma incorreta a palavra “recorde”. Ele pede que a empresa pague uma multa de R$ 10 milhões.
O MPF de Minas confirmou a ação, mas não deu mais detalhes sobre o caso. O procurador foi questionado por email desde a semana passada, mas não respondeu aos contatos. Já a Globo foi procurada e não comentou até a última atualização. A emissora não costuma comentar processos em andamento.
Na sua petição inicial, Neves diz que a Globo, junto com seus repórteres e apresentadores, tem adotado uma pronúncia errada da palavra em questão. Isso estaria causando um efeito manada na população, que falaria o termo também de forma errônea por culpa da emissora.
“A palavra ‘recorde’ é paroxítona, com a sílaba tônica em cor: reCORde. Portanto, não leva acento gráfico e não deve ser pronunciada como proparoxítona. Leia-se RÉ-cor-de”, explica o procurador.
Para justificar a ação, ele adicionou vídeos do Jornal Nacional, do Globo Esporte e do Globo Rural. Em um deles, o procurador questiona a pronúncia de César Tralli, âncora do principal telejornal da Globo.
“A Globo atua como um braço do Estado na difusão de informações, portanto, a utilização da norma culta da língua portuguesa não é uma opção estética, mas um modelo de qualidade e eficiência administrativa”, defende o procurador.
“Quando uma concessionária de alcance nacional propaga, de forma reiterada e sistemática, um erro de pronúncia, conhecido por erro de prosódia, ela viola o direito difuso da sociedade a ter acesso a uma programação com finalidade educativa e informativa”, continua Neves.
Na ação civil pública, o MPF-MG pede uma retificação em rede nacional da palavra “recorde” em telejornais e programas esportivos. Ele também solicita uma liminar em caráter de urgência para que a correção seja feita o quanto antes.
O procurador também quer que a empresa pague uma multa de R$ 10 milhões aplicada por “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”. A Globo foi notificada antes do Carnaval e ainda não apresentou sua defesa, o que deve ocorrer nos próximos dias.