Mulher que enganava marido e amante denuncia falso sequestro para esconder traição
Redação 18 de fevereiro de 2024 0
Itens roubados no falso assalto — Foto: Polícia Civil/Divulgação
por Maria Eduarda Portela
A investigação sobre a denúncia de um caso de sequestro terminou com três pessoas indiciadas, incluindo a suposta vítima do crime.
O caso aconteceu entre as cidades de Sengés, nos Campos Gerais do Paraná, e Itapeva, no estado de São Paulo, e envolveu um triângulo amoroso.
De acordo com a Polícia Civil, uma mulher de 35 anos, que morava com o marido, de 61 anos, em Sengés, mantinha um relacionamento amoroso há 10 meses com um morador de Itapeva, de 58 anos.
Além de esconder a relação extraconjugal do marido, ela afirmava ao amante que era solteira.
Desconfiado, o amante contratou um mototaxista para forjar um assalto. A intenção, segundo o delegado Isaias Fernandes Machado, era obter acesso ao celular da mulher para confirmar o estado civil dela.
A armação deu certo e o falso assaltante levou o celular e a carteira da mulher.
Porém, com medo do marido descobrir a relação extraconjugal, a mulher foi com ele até a polícia e registrou boletim de ocorrência afirmando que havia sido sequestrada e feita de refém por cerca de duas horas.
Ao mesmo tempo, o mototaxista foi parado pela polícia por estar de chinelos e sem viseira no capacete. Durante a abordagem, os policiais receberam o alerta de suspeita de sequestro e prenderam o homem de 29 anos em flagrante.
A partir do depoimento dele, todo o esquema foi descoberto e tanto o amante confessou que forjou o assalto, quanto a mulher confessou que mentiu sobre o sequestro, conta o delegado.
O falso assalto aconteceu na noite do dia 8 de fevereiro. A investigação foi finalizada na sexta-feira (16) e divulgada no sábado (17). Veja mais detalhes abaixo.
“O caso foi de extrema complexidade para elucidação, pois os fatos, de improváveis que em tese seriam, podem servir de exemplo para manuais de direito penal. A simulação de assalto, tendo um terceiro que desconhece a farsa, equivale ao cometimento de crime de roubo. E imputar crime mais gravoso a outrem [denúncia de sequestro ao invés de roubo] equivale ao crime de denunciação caluniosa”, avalia o delegado da Polícia Civil.
Crimes
Segundo o delegado Isaias, o amante da mulher e o motoxista contratado por ele para realizar o roubo forjado serão indiciados por roubo majorado e tentativa de invasão de dispositivo informático alheio. Juntos, os crimes são sujeitos a uma pena máxima de dezenove anos de prisão para cada um dos homens.
Já a mulher será indiciada por denunciação caluniosa, cuja pena pode chegar a até oito anos de prisão.
O mototaxista continua preso, desde a noite do crime. A mulher e o amante deverão responder em liberdade, explica Machado.
As identidades dos envolvidos não foram reveladas. O portal tenta identificar a defesa deles.
Detalhes do caso
Sengés, onde mora a mulher, e Itapeva, onde mora o amante dela, ficam a cerca de 63 km de distância.
Segundo o delegado Isaias Fernandes Machado, quando o falso assalto – posteriormente denunciado como sequestro – aconteceu, a mulher estava com o amante.
“Ela tinha ido à casa dele, em Itapeva. Ele estava levando ela embora para Sengés e fingiu uma pane no carro no caminho. O mototaxista, então, abordou os dois e roubou a carteira e celular das ‘vítimas'”, explica.
O mototaxista voltou para a cidade paulista e o casal continuou sentido Paraná.
Porém, no caminho, o mototaxista foi abordado pela Polícia Rodoviária por estar de chinelos e sem viseira no capacete, atos considerados infrações de trânsito.
Os policiais, então, encontraram junto a ele a carteira da mulher e os celulares dela e do amante e começaram a questionar a situação.
Ao mesmo tempo, a mulher chegou em Sengés e foi à delegacia denunciar o falso sequestro. Os policiais paranaenses emitiram um alerta e os paulistas receberam e prenderam o mototaxista.
Confissões
Preso, o mototaxista foi o primeiro a confessar, aponta o delegado.
“Ele até mostrou as mensagens que trocou com o amante da mulher para combinar o falso roubo”, conta.
O segundo a prestar depoimento foi o amante, que também confirmou as alegações, segundo Machado.
A mulher foi a última a ser ouvida novamente – mas apenas depois de ser localizada.
Isso porque, ao receber a intimação e desconfiar que a mentira sobre o sequestro havia sido descoberta, ela disse ao marido que ia viajar para São Paulo. Porém, há dois dias, foi encontrada pela polícia em Curitiba.
“Em sede policial, os envolvidos confirmaram a armação e a mulher confessou ter inventado a questão do sequestro para não perder seu casamento”, diz o delegado.