Muro na fronteira? Presidente do Chile ordena construção de ‘barreiras físicas’ para conter imigração
O novo presidente do Chile, José Antonio Kast (à esquerda), durante cerimônia de posse de seu cargo, em 11 de março de 2026. — Foto: Pablo Sanhueza/ Reuters
O novo presidente do Chile, José Antonio Kast, ordenou a construção de “barreiras físicas” na fronteira com a Bolívia. A medida visa desencorajar a imigração irregular, uma das principais promessas de campanha do direitista.
“Solicito a sua colaboração ativa no aumento do número de funcionários” e “também o encarrego de colaborar com a construção de barreiras físicas para deter a entrada da imigração ilegal” na fronteira com a Bolívia, disse Kast ao comandante do Exército, Pedro Varela, durante um ato em que assinou seus primeiros seis decretos, três deles relacionados à imigração irregular.
Um total de 337 mil estrangeiros vivem atualmente sem documentação no Chile, segundo dados oficiais.
Posse de Kast
O advogado de extrema direita José Antonio Kast assumiu na quarta-feira (11) a Presidência do Chile. Em seu discurso de posse, diante de milhares de apoiadores que se reuniram em frente ao palácio presidencial, Kast pediu aos seus ministros que realizem auditorias para apurar em que situação o esquerdista Gabriel Boric entregou o governo.
“Estão nos entregando um país em piores condições do que poderíamos imaginar”, criticou Kast – o mandatário conservador mais radical no país desde a ditadura de Augusto Pinochet.
Em sua primeira mensagem à nação, ele prometeu ainda que o “governo de emergência” não será um “slogan”.
“Para enfrentar as emergências em segurança, em saúde, em educação, em emprego, o Chile precisa de um governo de emergência e é isso que teremos”, afirmou.
Kast acrescentou que “aos adversários do Chile”, como ele chama os criminosos nacionais e estrangeiros, “nós vamos perseguir, vamos encontrar, vamos julgar e vamos condenar”. Seu discurso de ordem atrai chilenos que buscam frear a criminalidade.
Os chilenos abandonaram nos últimos anos o anseio por uma nova Constituição surgido com o rebuliço social de 2019. Boric, que participou da cerimônia de posse, foi um dos principais impulsionadores desse processo, que fracassou após duas tentativas de reforma.
Católico devoto e pai de nove filhos, Kast representa “uma direita conservadora como não se conhecia desde o retorno à democracia”, em 1990, afirma Rodrigo Arellano, analista político da Universidade do Desenvolvimento, instituição privada.
Por France Presse