Netanyahu diz que Israel continuará guerra em Gaza ‘até a vitória completa’ em meio a pausa para entrada de ajuda humanitária
Benjamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra na Faixa de Gaza continuará apesar das medidas tomadas pelo país para permitir a entrega de ajuda humanitária no território palestino.
Em um vídeo postado na rede social X, no domingo (27), o premiê israelense afirma:
“Continuaremos a lutar, continuaremos a agir até atingirmos todos os nossos objetivos de guerra. Até a vitória completa”.
O anúncio vem após Israel iniciar uma pausa humanitária em corredores e pontos de distribuição de comida de Gaza no domingo (27).
O anúncio, feito pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel no sábado (26), foi confirmado em comunicado pelo Exército israelense no começo do dia:
“Para aumentar a escala de ajuda humanitária que entra na Faixa de Gaza, uma pausa tática local na atividade militar ocorrerá para fins humanitários das 10h às 20h, a partir de hoje. (…) A pausa começará nas áreas onde as IDF não estão operando: Al-Mawasi, Deir al-Balah e Cidade de Gaza, todos os dias até novo aviso”.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, de extrema direita, Itamar Ben-Gvir, afirmou que a decisão sobre a ajuda foi tomada sem seu envolvimento. Ele a classificou como uma submissão à campanha enganosa do Hamas e repetiu seu apelo para cortar toda a ajuda a Gaza, conquistar o território e encorajar os palestinos a partir.
“Para atingir esse objetivo, de destruir o Hamas e libertar nossos reféns, estamos progredindo nos combates e conduzindo negociações. Seja qual for o caminho que escolhermos, precisaremos continuar permitindo a entrada mínima de suprimentos humanitários”, argumenta Netanyahu em seu vídeo.
Em declaração no domingo (27), um oficial do grupo terrorista disse que os militares israelenses seguem sua ofensiva e criticou:
“O que está acontecendo não é uma trégua humanitária”.
As Forças de Defesa israelenses também informaram no aviso pelo Telegram que rotas seguras para comboios com alimentos e medicamentos estarão disponíveis das 6h às 23h desde domingo (27).
“Rotas designadas estarão em funcionamento para permitir a passagem segura de comboios da ONU e de organizações de ajuda humanitária que entregam e distribuem alimentos e medicamentos à população em toda a Faixa de Gaza. As IDF continuarão a apoiar os esforços humanitários, juntamente com as manobras e operações ofensivas em andamento contra organizações terroristas na Faixa de Gaza”, detalha o comunicado.
As medidas vêm em meio à pressão internacional em razão da crise humanitária vivida pelos moradores do enclave, controlado pelo grupo terrorista Hamas (leia mais abaixo).
O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, disse que as equipes intensificarão os esforços para alimentar os famintos durante as pausas nas áreas designadas. “Nossas equipes no terreno farão tudo o que puderem para alcançar o maior número possível de pessoas famintas nesse intervalo”, disse ele em uma postagem na rede X.
Israel também retomou o envio de alimentos para Gaza por meio de aviões e, na noite de sábado (26), divulgou um vídeo do primeiro lançamento.
Desde maio, esse apoio está concentrado na Fundação Humanitária de Gaza, entidade controversa apoiada por Israel e criticada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
ONU afirma que situação em Gaza é ‘show de horrores’
A volta da permissão da ajuda aérea ocorre em um momento de agravamento da crise humanitária em Gaza. Dezenas de moradores do enclave morreram de desnutrição nas últimas semanas, segundo o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas. Desde o início da guerra, 127 pessoas morreram por desnutrição, incluindo 85 crianças, informou o ministério.
No sábado, uma bebê de cinco meses, Zainab Abu Haleeb, morreu de desnutrição aguda grave no Hospital Nasser, em Khan Younis, segundo profissionais de saúde.
O Crescente Vermelho Egípcio informou que enviaria no domingo (27) mais de 100 caminhões com mais de 1.200 toneladas de ajuda alimentar para o sul de Gaza, via passagem de Kerem Shalom.
A ONU descreve a atual situação como um “show de horrores”. Mais de 100 ONGs especializadas denunciam “fome em massa” no território.
“‘As pessoas em Gaza não estão nem mortas nem vivas, são cadáveres ambulantes’: disse-me um colega em Gaza nesta manhã”, disse Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, na quinta-feira passada (24).
Um vídeo divulgado pela agência Reuters na quinta-feira (24) mostrou crianças palestinas atendidas com desnutrição severa em um hospital de Khan Younis, em Gaza. O World Food Program (WFP), braço das Nações Unidas dedicado à alimentação, disse na sexta-feira (25) que quase um terço da população palestina “não come durante dias seguidos”.
O governo Netanyahu culpa a ONU e o grupo terrorista Hamas por impedir que os alimentos cheguem à população palestina.
A operação militar de Israel em Gaza matou mais de 59 mil palestinos, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O ataque terrorista feito pelo grupo a Israel em 2023 deixou 1,2 mil mortos – a maioria também de civis –, e 250 pessoas foram feitas reféns.