Nike vira alvo de investigação nos EUA por suposta discriminação contra trabalhadores brancos

0
image (12)

Logo da Nike em loja da marca na China - Tingshu Wang - 9.abr.25/Reuters

A agência dos Estados Unidos responsável por aplicar as leis que proíbem discriminação no trabalho informou, em um documento judicial apresentado na quarta-feira (4), que está investigando a Nike por suposta discriminação contra pessoas brancas por meio de suas políticas de diversidade.

A Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC, na sigla em inglês) afirmou no processo que a empresa de calçados e vestuário se recusou a cumprir uma ampla intimação que solicitava informações como dados sobre a composição racial e étnica de sua força de trabalho e a lista de funcionários selecionados para programas de mentoria e desenvolvimento.

Segundo a comissão, a investigação busca apurar se a Nike discriminou intencionalmente funcionários e candidatos brancos, inclusive ao atingi-los de forma desproporcional em processos de demissão. A EEOC afirma que precisa desses dados para determinar se a empresa violou a legislação.

A Nike não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A investigação é o mais recente movimento do presidente Donald Trump e de seus indicados para eliminar políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) no governo, no setor privado e no ensino superior.

Críticos desses programas afirmam que eles minam decisões baseadas no mérito e podem configurar discriminação reversa contra pessoas brancas e homens, em particular.

A presidente da EEOC, Andrea Lucas, já declarou que muitos programas corporativos de diversidade podem ser ilegais e que a agência investigará e, se necessário, processará empresas que violem leis que proíbem discriminação com base em raça, sexo, religião e outras características protegidas.

Em novembro, a EEOC acusou a seguradora Northwestern Mutual Life Insurance de não cumprir uma intimação relacionada a alegações de discriminação contra homens brancos.

A empresa negou irregularidades e afirmou que a intimação, motivada pela queixa de um único funcionário, era excessivamente ampla.

A organização America First Legal, fundada por Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, apresentou queixas à EEOC contra várias grandes empresas, incluindo a Nike, ainda durante o governo do democrata Joe Biden.

Normalmente, investigações da EEOC são iniciadas a partir de reclamações feitas por trabalhadores. No caso da Nike, porém, a apuração decorre de uma rara “acusação do comissário”, aberta por Lucas em maio de 2024, segundo o documento protocolado na Justiça federal em St. Louis, no Missouri.

Em comunicado divulgado nesta quarta, Lucas afirmou que, quando há indícios convincentes de que políticas de DEI de um empregador são ilegais, “a EEOC tomará todas as medidas necessárias —inclusive ações para fazer valer intimações— para garantir uma investigação plena e abrangente”.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...