No Chile, Lula pede transparência e respeito à soberania popular na eleição da Venezuela; Boric opta por não comentar o caso
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Chile, Gabriel Boric. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em pronunciamento em Santiago, capital do Chile, na segunda-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu transparência no processo eleitoral da Venezuela. O presidente chileno, Gabriel Boric, optou por não comentar a contestada eleição presidencial da Venezuela, principal assunto geopolítico no continente no momento.
O atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no poder desde 2013, foi considerado reeleito pelos organismos oficiais — na prática, controlados por ele, com quase 52% dos votos. Mas a oposição e entidades internacionais apontam que houve fraude no pleito.
As atas eleitorais — boletins com os votos das urnas — ainda não foram apresentadas, mas deveriam ter sido.
Boric já se manifestou, nos últimos dias, contra o resultado. Lula tem preferido exigir a apresentação das atas antes de dizer se a eleição de Maduro foi fraudada ou legítima.
“Expus [em conversa com Boric] as iniciativas que tenho empreendido com os presidentes Gustavo Petro (Colômbia) e Lopez Obrador (México) em relação a processo político na Venezuela. O respeito pela tolerância, o respeito pela soberania popular é o que nos move a defender a transparência dos resultados. O compromisso com a paz é que nos leva a conclamar as partes aos diálogos e promover o entendimento entre governo e oposição”, afirmou Lula no pronunciamento à imprensa após conversa privada com Boric.
Lula disse ainda que, na politica externa, as partes envolvidas em uma negociação precisam entender suas diferenças para que se chegue a um consenso.
“No meu partido chegamos a ter 19 tendências, que pensavam diferente. Toda reunião a gente ia lá e fazia um trabalho para que a gente conseguisse aprovar uma posição única. Na política externa é a mesma coisa. Cada país tem a sua cultura, cada país tem os seus interesses, cada país tem as suas nuances políticas. A gente não pode querer que todo mundo fale a mesma coisa, que pense a mesma coisa. Nós não somos iguais. Nós somos diferentes, isso é extraordinário. A diferença permita com que a gente procure encontrar as nossas similaridades”, refletiu o presidente.
Lula incentivou a integração entre os países da América do Sul, processo que ele defende desde o primeiro mandato presidencial.
“Não podemos continuar de costas uns para os outros”, disse.
O processo de integração ganhou um novo empecilho com a suspeita de fraude na eleição venezuelana. Boric, por exemplo, não reconheceu a vitória de Maduro e teve o corpo diplomático expulso pelo regime chavista.
Mais cedo, também na segunda-feira (5), 30 ex-chefes de Estado e governo da Espanha e de países da América Latina pediram que Lula assegure o compromisso com a democracia na Venezuela.