O candidato do sistema a presidente é Sergio Moro, não Bolsonaro
Jair Bolsonaro e Sergio Moro. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles
Por Ricardo Noblat
O presidente Jair Bolsonaro comenta intramuros com seus auxiliares mais próximos que o sistema quer destruí-lo. E que por isso inventou a candidatura do ex-juiz Sergio Moro, à qual a chamada mídia tradicional aderiu com indisfarçável entusiasmo.
Tem razão. Só esquece que o sistema ajudou-o a se eleger presidente da República, menos por acreditar em suas promessas e mais para evitar a volta da esquerda ao poder. E que agora naturalmente age em legítima defesa dos seus próprios interesses.
É assim que as coisas funcionam em toda parte, e jamais deixará de ser. O sistema apoiou a ditadura militar até que ela começou a desmoronar; apoiou Fernando Collor contra Lula, Fernando Henrique duas vezes contra Lula, e José Serra contra Lula.
Mais tarde, encantou-se com Lula ao conferir que ele não governaria contra o sistema, como de fato não governou. Bateu à porta de Lula para suplicar que fosse candidato à sucessão de Dilma Rouseff. Apoiou Michel Temer para provocar a queda dela.
Moro é o candidato perfeito para o sistema. Serviu-o para tirar Lula da eleição de 2018, abrindo espaço à passagem de Bolsonaro. É de direita por convicção e não por oportunismo. Tem mais chances do que Bolsonaro de no segundo turno derrotar Lula.
O sistema tem horror a um governo imprevisível, errático e nada confiável como o de Bolsonaro, e que ainda por cima só pensa em destruí-lo sem saber direito o que poria no lugar. Um governo desses só atrapalha os negócios e empurra o país para trás.
Resta a Bolsonaro usar o poder da caneta para não morrer antes de chegar na praia; e a Lula, que até aqui navegou em mar de almirante, preparar-se para a eventualidade de ter que enfrentar um candidato que não estava no seu radar até recentemente.