Opinião – Foz do Iguaçu deu 70% de votos a Bolsonaro, mas abastece na Argentina
O Sindipetro-PB solicitou atenção do Procon diante das próximas fiscalizações. — Foto: TV Paraíba/Reprodução
Por Guilherme Prado
Filas de carros brasileiros tomaram os postos de gasolina da cidade argentina de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu, neste sábado (30/10). Pessoas que aguardam para abastecer os automóveis no país vizinho contam que o preço do litro da gasolina argentina está em R$ 3,09, contra R$ 6,41 nos postos de Foz do Iguaçu.
Na eleição de 2018, a cidade paranaense deu 70,3% dos votos para Bolsonaro. Soa irônico que moradores de Foz tenham de ir até o país governado pelo esquerdista Alberto Fernández para encher o tanque a um preço razoável.
O “intercâmbio” é favorecido pelo fato de o real ser aceito em Puerto Iguazú, pelo fluxo intenso de brasileiros na cidade. O peso argentino sofre a maior desvalorização da história neste ano.
Economistas analisam que a disparada do dólar foi a principal vilã para o bolso dos consumidores brasileiros, já que o Brasil importa petróleo e paga em dólar o valor do barril. Mesmo com a queda do preço do petróleo internacional, a desvalorização do real impede a Petrobras de repor os preços.
O real sofreu intensa desvalorização com a má gestão do governo Bolsonaro na pandemia de Covid-19. Devido aos temores do mercado com o descontrole fiscal, a moeda americana avançou 3,71% em relação ao real em outubro e está cotada em R$ 5,64. No ano, a alta acumulada do dólar é de 8,8%.