Pacheco diz que vai dar andamento a PEC que limita decisões individuais do STF e que discussão é ‘natural’

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PACHECO

Por Luiz Felipe Barbiéri, Beatriz Borges e Kevin Lima

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou na quinta-feira (5) que vai dar andamento à proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita prazos e decisões individuais no Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira (4) em 40 segundos. Nenhum senador se inscreveu para discutir a proposta, aprovada simbolicamente.

“Não necessariamente a inteireza da proposta vai prevalecer. Pode haver posições divergentes em relação ao prazo dos pedidos de vista, mas é uma discussão que vamos submeter ao colégio de líderes e, na sequência, ao plenário, para entendimento da maioria e decidir sobre isso”, disse.

O projeto define que pedidos de vista (tempo extra para análise) em tribunais devem ser coletivos e limitados a seis meses, podendo ser renovados por mais 90 dias. Após o prazo, o processo seria incluído automaticamente na pauta de votações.

A PEC também proíbe decisões monocráticas (de um único ministro) que tenham como efeito:

  • suspender leis ou atos normativos que atinjam a coletividade;
  • suspender atos do presidente da República ou dos presidentes da Câmara, do Senado e do Congresso.

“É interessante termos uma regulação em relação a decisões monocráticas para que aquilo que é mais sagrado do Supremo, que é a sua colegialidade, prevalecer. Não é nada irracional. Não há nada irracional nisso, como também não há em relação aos mandatos fixos, que são adotados em outros países”, defendeu Pacheco.

Conforme a proposta, as decisões liminares (provisórias) monocráticas (individuais) poderão ser concedidas durante o recesso pelo presidente do Tribunal, mas precisarão ser julgadas no prazo de 30 dias corridos após o reinício dos trabalhos, sob pena de perda de eficácia.

A PEC avançou no Senado em meio a embates entre o Congresso e o STF a respeito de decisões divergentes envolvendo, por exemplo, o sobre casamento homoafetivo, a descriminalização do porte de maconha e a tese do marco temporal.

Supremo já fez mudanças

O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia aprovado, em dezembro de 2022, uma mudança nas regras internas das Corte.

O tribunal fixou prazo de 90 dias para os chamados pedidos de vista – prazo menor que o previsto na PEC. O STF, no entanto, admite que o pedido seja de um único ministro.

Os ministros decidiram ainda que decisões individuais urgentes devem ser submetidas imediatamente para julgamento dos demais colegas, para evitar grave dano ou garantir a eficácia de decisão anterior. No caso de prisões, por exemplo, a análise deve ser feita em julgamentos presenciais.

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