Papa Leão 14 defende cinema contra algoritmos em fala para astros de Hollywood

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O papa Leão 14 recebe camiseta de basquete do cineasta Spike Lee em encontro com astros da indústria do cinema - Vatican Media/Handout/AFP

O Papa Leão 14 recebeu no sábado (15), no Vaticano, um grupo de cineastas, atores, produtores e dirigentes de festivais para um discurso dedicado ao cinema e à situação atual do setor, frente ao avanço da inteligência artificial.

Estavam presentes mais de cem artistas, como Cate Blanchett, Greta Gerwig, Viggo Mortensen, Darren Aronofsky, Spike Lee —que presenteou o pontífice com uma camiseta dos New York Knicks com os escritos “papa Leão” e o número 14—, Monica Bellucci, Marco Bellocchio, Dario Argento, Alba Rohrwacher, David Lowery e Gaspar Noé.

Também participaram representantes de festivais internacionais, entre eles Cameron Bailey, de Toronto, Vanya Kaludjercic, de Roterdã, Giona Nazzaro de Locarno, Eugene Hernandez, de Sundance.

Em seu discurdo, o Papa descreveu o cinema como uma arte “ainda jovem” que combina entretenimento com uma reflexão sobre a experiência humana.

“Uma das contribuições mais valiosas do cinema é precisamente ajudar o espectador a voltar a si mesmo, a olhar com novos olhos para a complexidade da sua própria experiência, a rever o mundo como se fosse a primeira vez e a redescobrir, nesse exercício, uma parte daquela esperança sem a qual a nossa existência não é plena”, disse o pontífice, segundo a agência do notícias do Vaticano. “Me conforta pensar que o cinema não é apenas imagem em movimento: é colocar a esperança em movimento!”.

O pontífice também mencionou a queda no número de cinemas e pediu que instituições cooperem para preservar esses espaços, que classificou como fundamentais para a vida cultural das cidades. Em outro momento, afirmou que “a lógica dos algoritmos tende a repetir o que ‘funciona’, mas a arte abre o que é possível”. “Nem tudo precisa ser imediato ou previsível. Defendam a lentidão quando ela serve a um propósito, o silêncio quando ele fala e a diferença quando ela é evocativa”, disse.

O discurso tratou ainda de temas frequentemente abordados pelo cinema contemporâneo, como violência, pobreza, exílio, vícios e guerras esquecidas. Para ele, o cinema não deve se esquivar da fragilidade humana e pode exercer um papel na formação do olhar do público.

Leão 14 encerrou destacando o caráter coletivo da produção cinematográfica, mencionando funções técnicas e artísticas envolvidas na realização de um filme. Ele pediu que o cinema continue a ser um espaço de encontro e diálogo e afirmou que a arte pode contribuir para a busca por sentido e para uma linguagem de paz.

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