Pentágono muda discurso e afirma que ataques dos EUA atrasaram em até dois anos programa nuclear do Irã

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Imagem de satélite fornecida pela Maxar Technologies mostra danos após ataques dos EUA à instalação de enriquecimento nuclear de Isfahan, no centro do Irã, no domingo (22) - AFP

O Pentágono afirmou na quarta-feira (2) que o programa nuclear do Irã foi atrasado em até dois anos após os ataques dos Estados Unidos contra três usinas do país persa.

Essa nova estimativa diverge do que é defendido por integrantes do alto escalão do governo. Antes, o secretário da Defesa americano, Pete Hegseth, o chefe do Pentágono, havia dito que os locais tinham sido obliterados.

Na última semana, o presidente americano, Donald Trump, havia se pronunciado comparando os ataques ao Irã com as bombas direcionadas a Hiroshima e Nagasaki, no Japão, na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). “Aquilo acabou com aquela guerra. Isto [ataques dos EUA contra o Irã] acabou com a guerra”, disse o republicano a jornalistas no dia 25 de junho, durante reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes de uma cúpula em Haia.

No dia anterior à declaração, a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA, na sigla em inglês) já tinha avaliado que os ataques atrasaram o programa nuclear do Irã em apenas alguns meses, diferentemente da versão defendida por Trump e seus aliados. O novo relatório do Pentágono, por sua vez, parece encontrar um meio-termo.

Ao contrariar as conclusões da DIA, Trump recebeu o apoio dos secretários de Estado e de Defesa, Marco Rubio e Hegseth, respectivamente, que também lançaram dúvidas sobre a confiabilidade da avaliação.

“Quando você realmente olha para o relatório —a propósito, era um relatório ultrassecreto— era preliminar, tinha baixa confiança”, disse Hegseth. “Há um motivo político aqui.”

O presidente chegou a afirmar que os ataques causaram “uma obliteração” no programa nuclear do Irã. “A inteligência diz: ‘Não sabemos, pode ter sido muito severo.’ É o que a inteligência diz. Então, acho que isso está correto, mas acredito que podemos desconsiderar o ‘não sabemos’. Foi muito severo. Foi uma obliteração”, disse.

A afirmação do Pentágono desta quarta muda de direção, e é feita após o anúncio de suspensão da cooperação iraniana com a Agência Internacional e Energia Atômica (AIEA) o órgão da ONU que fiscaliza os programas nucleares dos países signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Os EUA descreveram de inaceitável a decisão, dizendo que foi tomada “em um momento em que há uma janela de oportunidade para reverter o curso e escolher um caminho de paz e prosperidade”, segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce. “O Irã deve cooperar com a AIEA”, acrescentou.

O país persa rejeitou anteriormente uma solicitação do chefe da AIEA, Rafael Grossi, para visitar as instalações nucleares bombardeadas pelos EUA e avaliar a extensão dos danos. O Irã afirmou que o pedido reflete as “más intenções” do argentino.

Em entrevista à CBS News, o ministro de Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o bombardeio americano causou “danos sérios e extensos” ao complexo de Fordow, que fica enterrado em uma montanha no Irã.

“Ninguém sabe exatamente o que ocorreu em Fordow. Dito isso, o que sabemos até agora é que as instalações foram seriamente e fortemente danificadas”, disse o chanceler na entrevista transmitida na terça-feira (1º). “A Organização de Energia Atômica da República Islâmica do Irã está atualmente realizando avaliações e análises, cujo relatório será apresentado ao governo.”

Com Reuters

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