Perícia aponta que ovo de Páscoa que matou irmãos no MA foi envenenado com chumbinho

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Mãe e irmã de menino de 7 anos que morreu após comer ovo de Páscoa no MA ficaram entubadas, após comer o chocolate. — Foto: Reprodução/TV Mirante

Uma perícia realizada pela polícia confirmou que o ovo de Páscoa ingerido pelos irmãos Luís Fernando, 7, e Evely Fernanda Rocha Silva, 13, foi envenenado. O laudo aponta que o doce estava contaminado com terbufós, um composto químico presente no chumbinho.

Os dois imrãos morreram após comerem o chocolate. A mãe deles, Mirian Lira Rocha, 36, também passou mal, mas se recuperou e está em casa.

A família foi envenenada na noite do dia 16 de abril em Imperatriz (no interior do Maranhão). Luís Fernando morreu no dia 17, e Evelyn no dia 22.

A informação sobre a perícia foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do estado na quarta-feira (30).

Os vestígios do veneno foram encontrados nos materiais biológicos das vítimas, no alimento e em itens apreendidos com a mulher apontada como suspeita do crime pela polícia.

Jordélia Pereira Barbosa, 35, foi indiciada por dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio contra Mirian, a quem estava endereçado o ovo de Páscoa. Ela está presa preventivamente (sem prazo) no presídio feminino em São Luís, onde aguardará o julgamento.

Na audiência de custódia, Jordélia foi representada pela Defensoria Pública. A reportagem não conseguiu contato com sua defesa.

O caso

O ovo de chocolate foi entregue à família no dia 16, por volta das 19h, com um bilhete que dizia: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”.

“Quando chegou a embalagem, me ligaram, perguntando se eu tinha recebido. Só que, na minha cabeça, eu achei que fosse o povo da Cacau Show confirmando se eu tinha recebido a embalagem. Eu só apenas falei que tinha recebido e não procurei investigar mais de onde que vinha”, disse Mirian em entrevista à TV Mirante (afiliada da Globo na região) no dia 23.

Ela contou que não lembrava a ordem em que o alimento foi consumido, apenas que estava com os dois filhos e que cada um provou “um pouquinho”.

Conforme a Secretaria de Segurança Pública, Jordélia é ex-companheira do atual namorado de Mirian e principal a hipótese é de que ela agiu por ciúmes, segundo os investigadores.

Jordélia foi presa em um ônibus interurbano na cidade de Santa Inês, onde mora.

A delegada Alanna Lima, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Imperatriz, disse que a suspeita se contradisse em diversos pontos durante interrogatório.

“Ela negou ter comprado o chocolate em Imperatriz e depois confirmou que foi até a Cacau Show do shopping. Por fim, disse que mandou os chocolates para a Mirian apenas como uma gentileza.”

Segundo a polícia, a suspeita teria reservado estadia em um hotel da cidade apresentando um crachá falso, no qual constava um nome inventado e uma foto sua com disfarce, usando uma peruca de cor preta.

Uma troca de mensagens via celular obtida pela Polícia Civil do Maranhão mostra que, para fazer o cadastro no hotel, a suspeita disse que era uma mulher trans e que sua nova documentação ainda não estava pronta.

Por causa disso, ela sugeriu mostrar o crachá da empresa na qual trabalharia.

A Polícia Civil disse ter chegado até a suspeita após ouvir testemunhas e familiares das vítimas. Também analisou imagens de câmeras de segurança do estabelecimento comercial onde ela havia comprado o chocolate, em Imperatriz.

Foram apreendidos com ela óculos, perucas, restos de chocolate, remédios e bilhetes de passagens de ônibus.

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