A análise identificou ainda que Cid usa um vídeo de um jurista que deu suporte para teses de teor golpista baseadas no artigo 142 da Constituição.
O encontro de um documento apócrifo [sem assinatura] enviado a partir de um número atribuído a Cid levou à produção do relatório da PF. Segundo essa investigação, no dia 28 de novembro de 2022, já depois da derrota de Bolsonaro nas eleições, Cid enviou três imagens que chamaram a atenção dos policiais.
As fotografias seriam backup de um documento que, em seu parágrafo final, dizia: “diante de todo o exposto e para assegurar a necessária restauração do Estado Democrático de Direito no Brasil, jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas da Constituição Federal de 1988, declaro o estado de sítio e, como ato contínuo, declaro operação de Garantia da Lei e da Ordem”.
Além disso, foram identificadas mensagens do coronel Jean Lawand, sugerindo o golpe. O conteúdo trazia pedidos de Lawand para que Cid convencesse Bolsonaro a ordenar uma intervenção militar no país, após a derrota nas eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Os referidos estudos possivelmente serviram de fundamento para a confecção de uma minuta de decretação de Estado de Sítio e Garantia da Lei e da Ordem – GLO, identificada no aplicativo WhatsApp de Mauro Cesar Cid”, afirma o delegado Fábio Alvarez Shoir, em relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes.
O magistrado retirou na sexta-feira (16) o sigilo do relatório da PF que contém a análise de mensagens e documentos nos celulares de Cid, sua esposa Gabriela Santiago Cid e do sargento do Exército Luis Marcos dos Reis, ex-integrante da Ajudância de Ordens de Bolsonaro.
Após a revelação do material encontrado no celular de Mauro Cid, a defesa do ex-presidente Bolsonaro se manifestou, afirmando que ele “jamais participou de qualquer conversa sobre um suposto golpe de Estado”.
*Publicado por Fábio Munhoz, com informações de Daniela Lima e Lucas Mendes