Planejamento assinado por Torres para 8/1 era para manifestação pacífica e não mudou após alertas

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Anderson Torres. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Por Alan Rios

O planejamento para conter intercorrências nas possíveis “manifestações”, até então previstas para o 8 de janeiro, foi estruturado dois dias antes dos atos golpistas, com informações de um movimento pacífico. Assinado e elogiado por Anderson Torres, o plano não se alterou quando novos alertas chegaram e o cenário já previa um atentado grave contra a democracia. Avaliado como “genérico” por quem tem familiaridade com planos operacionais, o documento conta ainda com diversas falhas.

Ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) Torres, antes de viajar, assinou o Protocolo de Ações Integradas (PAI), pensado para “promover ações de segurança” e “assegurar o direito constitucional à livre manifestação”, como traz o documento. Esse planejamento sempre é feito pela pasta antes de protestos.

O protocolo foi fruto de uma reunião ocorrida na SSP em 6 de janeiro, pela manhã, quando integrantes de forças de segurança avaliaram, com as informações que tinham, a possibilidade de uma manifestação pacífica, de pouca adesão e baixo risco. O então secretário Anderson Torres assinou o documento pela tarde e embarcou à noite para os Estados Unidos, com a família.

Em depoimentos aos parlamentares do Congresso e da Câmara Legislativa do DF, Torres disse que, se o protocolo tivesse sido cumprido, “os atos de vandalismo não teriam sido consumados”. Porém, uma série de acontecimentos entre a confecção do PAI e a invasão aos prédios da Praça dos Três Poderes foram solenemente ignorados.

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