PM morto por decisão do ‘tribunal do crime’ levou 18 tiros e estava com cadarço no pescoço, aponta laudo
Corpo do soldado da PM Luca Angerami, de 21 anos, foi encontrado com sinais de tortura em uma cova na comunidade Vila Baiana, em Guarujá (SP) — Foto: Reprodução
O corpo de Luca Romano Angerami, o PM de 21 anos que esteve desaparecido por 36 dias e foi encontrado morto em Guarujá, no litoral de São Paulo, estava com 18 perfurações causadas por projéteis de arma de fogo, além de um cadarço no pescoço. As informações foram apuradas junto à 3ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos (SP).
O PM foi visto pela última vez perto de um ponto de tráfico de drogas da cidade, em 14 de abril. Durante as buscas, os policiais encontraram 12 corpos e prenderam 11 suspeitos de envolvimento no crime. O corpo de Luca foi encontrado enterrado em 20 de maio, na comunidade Vila Baiana.
Segundo a Polícia Civil, os exames do Instituto Médico Legal (IML) foram concluídos e constataram que a causa da morte de Luca foi uma hemorragia interna por ferimento perfuro contuso, ou seja, por arma de fogo. Ao todo, foram 18 perfurações causadas por projéteis.
O laudo também buscava descobrir quando foi a execução. A polícia disse que o médico legista apontou que Luca morreu aproximadamente seis semanas antes do dia que o corpo foi encontrado. A análise revela, portanto, que a morte ocorreu depois que ele foi visto pela última vez, em 14 de abril.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o resultado do exame toxicológico, que identifica a presença de drogas no organismo, deu negativo no corpo do PM Luca.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o inquérito policial foi finalizado e relatado à Justiça. O portal entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Corpo encontrado
O corpo do PM foi encontrado no dia 20 de maio enrolado em uma lona, em um morro na região da Vila Baiana, em Guarujá (SP). Como o cadáver não estava em estado avançado de decomposição, a identificação foi feita através das tatuagens de Luca.
Últimas imagens
O PM foi visto durante a madrugada do dia 14 de abril em uma adega na comunidade Santo Antônio com dois amigos. Depois, câmeras de monitoramento filmaram o agente sendo acompanhado por um homem até a biqueira, onde foi visto pela última vez em Guarujá (SP). Este rapaz foi preso no dia 19 de abril.
As imagens, obtidas pela TV Tribuna, emissora afiliada à Globo (clique aqui pra ver), mostram quando o PM chega em uma rua na comunidade às 6h41 em um carro de cor prata. O veículo era semelhante ao automóvel dele, que foi encontrado abandonado na Rodovia Cônego Domênico Rangoni.
Após o carro ser manobrado na via, o agente saiu do veículo. Luca vestia uma camiseta preta e calça jeans – como as roupas que usava na adega. Ele também estava ‘acompanhado’ de perto pelo outro homem, que usava bermuda branca e uma camiseta vermelha. Os dois entram em uma rua e, em seguida, não são mais vistos.
Investigações

Durante as investigações da morte do PM, os policiais encontraram 12 corpos e prenderam 11 suspeitos de envolvimento no crime.
Na noite de 14 de abril, mesmo dia do desaparecimento, um homem identificado como Edivaldo Aragão, de 36 anos, foi preso por ser suspeito de participar do suposto assassinato de Luca. Ele foi abordado por policiais militares na Rua das Magnólias, próximo à adega.
Segundo o portal apurou com a Delegacia de Homicídios de Santos (SP), a Polícia Civil descartou o homem das investigações por entender que ele não teve envolvimento e confessou a mando de uma organização criminosa. Ele apenas foi indiciado por obstrução à justiça.
2º preso confessa envolvimento no sequestro
Na noite do dia 18, Carlos Vinicius Santos da Silva, de 26 anos, foi preso na Avenida das Acácias. Uma equipe da Polícia Militar leu mensagens em um celular que comprovaram a participação dele no crime. É ele quem aparece ao lado do soldado da PM na biqueira da comunidade Santo Antônio, a última imagem que se tem de Luca.
Mais quatro presos e carro apreendido
Depois que Carlos Vinicius foi detido, a polícia identificou mais suspeitos envolvidos, com base no depoimento e mensagens.
No dia 19 de abril, quatro foram presos. Cada um teria uma responsabilidade: um teria ficado com a arma de Luca; outro seria o dono da biqueira; um suspeito de abandonar o carro, e outro dirigido com o PM até a comunidade.
Sétimo e oitavo presos
Segundo o portal apurou, um sétimo suspeito, conhecido como “Caga”, se apresentou espontaneamente na Divisão de Homicídios de Santos (SP) no dia 22 de abril.
Um oitavo homem, de 23 anos, foi preso por volta de 19h30 de 26 de abril no bairro Chácaras, em Bertioga (SP). A PM chegou ao oitavo suspeito durante as investigações e com base nas informações obtidas em depoimentos anteriores. Conforme apurado com a Delegacia de Homicídios de Santos, o homem provavelmente mentiu ter envolvimento para despistar as autoridades.
Nono preso
Segundo a SSP-SP, um homem, de 41 anos, foi preso por PMs em 10 de maio, no bairro Jardim Primavera, em Guarujá (SP). Na ocasião, uma equipe viu o rapaz em atitude suspeita em uma via pública.
Assim que ele notou a presença policial, entrou em um comércio, mas foi seguido pelos agentes. Em busca no sistema, a corporação constatou que havia um mandado de prisão temporária expedido contra ele por ser suspeito de estar envolvido no crime contra o soldado.
Últimos dois presos
Durantes as investigações, de acordo com o delegado Fabiano Barbeiro, 11 pessoas foram presas suspeitas de terem envolvimento na morte do PM. As informações do décimo detido, no entanto, não foram divulgadas pela Polícia Civil.
O último foi preso foi detido por policiais militares em 3 de junho.