Polícia Civil acredita que invasão e roubo de fios de cobre na Estação da Cagepa foram planejados: ‘Sabiam o que estavam fazendo’

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Cabos de cobre foram roubados da Estação Elevatória de Água Bruta de Gramame da Cagepa — Foto: Antônio Vieira/ TV Cabo Branco

A Polícia Civil da Paraíba está ouvindo testemunhas para tentar descobrir detalhes sobre a dinâmica da invasão e o roubo de fios de cobre, essenciais para a distribuição de água na Região Metropolitana de João Pessoa, mas os investigadores acreditam que o crime foi planejado. A ação criminosa resultou no desabastecimento de todo o município de Cabedelo, de Conde, e 80% do território de João Pessoa, afetando cerca de 760 mil pessoas.

“Acreditamos, pelo modus operandi utilizado, que eles já sabiam o que estavam fazendo. Inclusive, há alguns meses, ocorreu esse mesmo furto na empresa, e pensamos que, pela forma como foi conduzido toda a ação criminosa, eles já sabiam o que estavam fazendo. Também consideramos que já existe uma pessoa específica, o receptor, para receber todo o cobre”, afirmou o delegado Braz Marroni, responsável pela investigação.

De acordo com o delegado Braz Marroni, a Estação Elevatória de Água Bruta de Gramame, alvo da ação criminosa, não possui câmeras de segurança e também não é a primeira vez que o local foi roubado. Segundo Marroni, criminosos invadiram e levaram fios de cobre da estação no primeiro semestre deste ano, mas em menor quantidade, de forma que não interromperam a distribuição de água na região.

O primeiro caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Conde, enquanto o roubo de quarta-feira (30/10) está sob investigação da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT).

Inicialmente, a informação era de que os bandidos chegaram ao local em um caminhão. Porém, o delegado Braz Marroni explicou que, segundo os depoimentos das testemunhas, não há informações sobre como os criminosos chegaram na estação.

Para fugir, o grupo roubou um veículo da empresa e um carro de um funcionário. Os dois veículos foram abandonados pelos assaltantes e encontrados pela Polícia Civil, que os encaminharam para a perícia.

Testemunhas afirmaram que a intenção dos criminosos era incendiar um dos veículos usados ​​para a fuga, mas não conseguiram levá-lo, porque o carro caiu em um barranco próximo à Estação de Água de Gramame. A polícia acredita que os carros podem conter vestígios biológicos ou impressões digitais, motivo pelo qual os assaltantes pretendiam se desfazer do veículo.

As vítimas foram chamadas novamente para prestar depoimento na tarde da sexta-feira (1/11), para que a Polícia Civil consiga mais detalhes do crime, determine as características físicas dos assaltantes, seus sotaques e outras informações que possam ajudar na investigação.

O delegado Braz Marroni também afirmou que as equipes continuam em campo para tentar levantar outras imagens do local do crime e identificar o veículo que ajudou os assaltantes a fugirem.

“Como o estabelecimento não tem câmeras, então a gente tá tentando construir toda a dinâmica baseada nas testemunhas. Estamos ouvindo com maior detalhe pra ver como tudo se deu e como foi a rota de fuga deles”, explicou o delegado.

Em entrevista à TV Cabo Branco, o presidente da companhia, Marcus Vinícius Neves, avaliou todo o prejuízo em mais de R$ 1,5 milhão, considerando o impacto na produção de água, a mobilização da equipe e o transtorno causado para toda a população.

“Desde ontem à noite (30/10), o sistema começou a falhar em Gramame. Nós temos um sistema que identifica esses problemas, ligamos para cá, mas, nesse momento, nosso operador já estava com a arma na cabeça”, afirmou o presidente da Cagepa.

Estação Elevatória de Água Bruta de Gramame, localizada no Conde — Foto: Cagepa
Estação Elevatória de Água Bruta de Gramame, localizada no Conde — Foto: Cagepa

O furto não é comum

O delegado Braz Morroni explicou que existem duas modalidades de furto de fio de cobre mais registradas: fios de cobre de telefonia móvel – por exemplo, fios de postes – e o furto de fios mais robustos, como os roubados na Estação de Água de Gramame. Porém, o mais comum é receber denúncias de furto de fio de cobre de telefonia móvel.

“A gente recebe mais (denúncias) esse furto de cobre de telefonia móvel, que é mais aquela quantidade de varejo; essa quantidade de furtos de cobre em grande volume realmente não é tão comum”, afirmou o delegado.

Braz Morroni explica que o aumento de ocorrências desse tipo de furto também é alvo de investigações da Polícia Civil, que acredita ser motivado pela existência de receptadores para receber o cobre. Segundo o delegado, a prisão dos receptores pode ajudar a reduzir o furto desses fios.

O crime

De acordo com a Cagepa, a equipe de manutenção da estação foi rendida por volta das 21h de quarta-feira (30/10). Eram entre oito e dez ladrões que estavam em busca dos cabos por causa do alto valor do cobre no mercado de venda clandestina.

De acordo com o levantamento realizado pela Gerência Regional do Litoral, os bandidos roubaram 450 metros de fios de cobre, causando um prejuízo de R$ 180 mil. No entanto, com a paralisação na distribuição de água, a Cagepa deixou de arrecadar aproximadamente R$ 1,7 milhões.

Cagepa reinstala cabos de cobre e restabelece abastecimento de água em João Pessoa, Cabedelo e Conde

Por volta de 2h20 da madrugada de sexta-feira (1º/11) o abastecimento de água em João Pessoa, Cabedelo e Conde foi reativado, depois de mais de 24h de interrupção devido ao roubo de cabos de cobre da Estação Elevatória de Água Bruta de Gramame. A Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa), no entanto, informou que a volta da água às torneiras não é imediata e que isso deve acontecer aos poucos ao longo do dia.

De acordo com a companhia, alguns bairros já amanheceram com água, e que até o fim do dia ela vai chegar às torneiras de todas as três cidades, mas esse retorno é gradual.

Ao todo, 80% de João Pessoa e a totalidade dos territórios de Conde e Cabedelo foram afetados. A projeção é que mais de 760 mil pessoas foram afetadas.

A estação alvo do roubo de cabos possui quatro equipamentos de tratamento de água, mas Walace Oliveira, gerente regional da Cagepa no litoral paraibano, explicou que com apenas um deles o abastecimento já é normalizado. De madrugada, o primeiro foi colocado em funcionamento e por votla de 6h o segundo foi religado.

Presidente da Cagepa, Marcos Vinícius Fernandes Neves disse que o prejuízo total, contabilizando gastos com cabos e faturamento que deixou de ser registrado, passa com folga da casa de R$ 1,5 milhão, mas que os valores exatos só poderão ser atestados mais para frente.

“Isso sem contar os prejuízos que a população teve em suas rotinas”, frisou.

Marcos Vinícius informou também que, ao todo, foram roubados 450 metros de cabos, de expessuras que variavam entre 35 mm e 500 mm. E que foram cerca de duas toneladas de cobres subtraídos do local.

“São cabos robustos, que não estão a disposição numa loja de material de construção”, comentou, destacando que uma das principais dificuldades foi conseguir com celeridade cabos de reposição.

Esses equipamentos chegaram à estação apenas no meio da tarde da quinta-feira (31/10), e só aí os trabalhos de reinstalação foram iniciados.

A Polícia Civil da Paraíba investiga o roubo e acredita numa ação planejada e bem organizada.

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