Polícia da França prende 2 suspeitos de participação no roubo de joias do Louvre
Entrada principal do Museu do Louvre, em Paris — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters
Dois suspeitos do roubo das joias da coroa do Museu do Louvre foram presos em uma operação da polícia francesa na noite de sábado (25/10).
Os dois homens seriam originários do departamento de Seine-Saint-Denis, na periferia de Paris, e teriam aproximadamente 30 anos. Ambos teriam antecedentes criminais de arrombamento.
Um deles foi preso no aeroporto Charles de Gaulle, o principal de Paris, por volta das 22h locais (17h em Brasília), preparando-se para embarcar em um voo para a Argélia.
O segundo suspeito estaria tentando fugir para o Mali, segundo a revista Paris Match. Não foi informado o local onde ele foi preso.
Citando pessoas informadas sobre o andamento da investigação, o jornal londrino The Telegraph afirmou no sábado (25/10) que funcionários do Louvre podem estar envolvidos no crime. Já o Le Monde disse que um dos detidos seria franco-argelino e o outro, francês.
Os detidos foram levados para a sede da Direção da Polícia Judicial, no 17º distrito da capital francesa. A polícia não divulgou as identidades.
De acordo com a imprensa francesa, as joias não foram encontradas com os suspeitos. A polícia não deu mais informações sobre o possível paradeiro das peças. A rádio RTL afirmou que as demais joias valiosas da Galeria de Apolo foram transferidas para um cofre do Banco da França, o banco central francês.
Segundo a polícia francesa, a investigação do crime avançou nas últimas horas. Ela é conduzida pela Brigada de Repressão ao Banditismo (BRB) e pelo Escritório Central de Luta contra o Tráfico de Bens Culturais (OCBC).
Pela rede social X, o ministro do Interior (responsável pela segurança pública), Laurent Nuñez —que até um mês atrás era o chefe da polícia de Paris—, parabenizou os investigadores, mas pediu que a busca continue em sigilo. O inquérito, segundo ele, continuará “com a mesma determinação”.
Até sábado à noite havia poucas informações sobre a caçada aos suspeitos. A procuradora responsável pelo inquérito, Laure Beccuau, havia revelado que cerca de 150 traços de DNA e impressões digitais haviam sido encontrados na cena do crime. Segundo a polícia, essas amostras foram decisivas para a localização dos suspeitos.
Beccuau deu a entender, na rede X, que as prisões deveriam ter sido mantidas em sigilo. “A divulgação precipitada da notícia da prisão, sem consideração pelo inquérito”, segundo ela, “só pode prejudicar os esforços de uma centena de investigadores mobilizados”. A procuradora falou em fornecer mais informações após o prazo de prisão provisória dos suspeitos, que segundo a lei francesa é de quatro dias.
O roubo do Louvre ocorreu na manhã de 19 de outubro e foi cometido por quatro homens, em uma ação que durou apenas oito minutos. Eles usaram uma camionete com uma plataforma de elevação, quebraram duas vitrines, levaram nove joias (deixaram cair uma delas, a coroa da imperatriz Eugênia) e fugiram em duas scooters.
As joias foram avaliadas em € 88 milhões (cerca de R$ 550 milhões).