Por Lula, PT não votará contra pacote de “bondades” de Bolsonaro
Lula. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
“É pouco e chegou tarde.” É com essa posição que a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratará o chamado “pacote de bondades” lançado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) e que deverá entrar em discussão no Senado na próxima semana.
As medidas são colocadas pelo governo com o objetivo de minimizar o impacto do alto preço dos combustíveis na vida das pessoas que mais precisam e incluem dobrar o valor pago pelo Vale-Gás, aumentar em R$ 200 o valor do Auxílio Brasil e ainda conceder aos caminhoneiros um voucher de R$ 1 mil.
É consenso entre os petistas o caráter eleitoral das propostas. No entanto, o partido não quer amargar o desgaste de votar contra as medidas, por considerá-las importantes para a população.
A posição de considerá-las “tardias e insuficientes” só foi encontrada no início da noite da sexta-feira, depois de um dia inteiro de discussão. Pela manhã, as bancadas da Câmara e do Senado se reuniram. Não tiraram posição, mas tentaram afinar uma crítica.
Um dos presentes à reunião, o senador Paulo Rocha (PT-PA) já havia sinalizado o dilema entre votar a fovor das medidas consideradas eleitoreiras ou votar contra o pacote e, assim, impedir o benefício da população.
“Não se trata de ser contra ou a favor”, disse o senador.
“Isso é uma manobra de véspera de eleição. Uma bondade falsa do Bolsonaro. Se ele quisesse resolver essas questões, teria feito bem antes. Agora, a situação não se resolve da maneira que deveria, e ele vem com esses bombons para ganhar votos”, ponderou.
Ao longo do dia, mais petistas travaram o mesmo conflito até a decisão do núcleo da campanha de trabalhar para a aprovação e manter a posição de crítica ao caráter eleitoral.
Ao longo do dia, o PT também abandonou a ideia de contestar juridicamente o pacote, perante a Justiça Eleitoral, ideia que chegou a ser cogitada pela manhã.
O governo pretende driblar as restrições da legislação eleitoral, alegando um estado de emergência, previsto na lei.
Pressa
Na sexta, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE) disse que espera votar na próxima terça-feira (28/6) a PEC da qual é relator. Com a aprovação e sanção da proposta, os benefícios só seriam pagos a partir do fim de julho ou início de agosto.
A PEC é de autoria do atual líder do Governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ). O objetivo do governo com a proposta é mitigar os impactos da flutuação no preço dos combustíveis, que tem atrapalhado a imagem do presidente, que disputa a reeleição.
A votação, no entanto, depende de o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pautar o assunto.
Inicialmente, a proposta foi criada com objetivo de ressarcir integralmente os estados e municípios que decidissem zerar as alíquotas dos combustíveis.
Diante do temor de baixa adesão de governadores e prefeitos à medida, o governo buscou alterar o teor do projeto, para a ampliação de programas sociais já existentes, além da criação de novos benefícios.
O pacote surgiu depois de muita pressão de políticos aliados sobre a área econômica do governo, que aceitou as medidas como forma de tentar fazer com que Bolsonaro volte a subir nas pesquisas. O valor total do pacote é estimado em R$ 27 bilhões, cifra que estaria fora do limite constitucional de despesas do Estado, o chamado teto de gastos.
Só o custo do aumento do Auxílio Brasil, que irá de R$ 400 para R$ 600, é estimado em R$ 20 bilhões até o fim deste ano. O voucher para os caminhoneiros, categoria aliada do governo, mas que tem apresentado dissidências e feito duras críticas aos aumentos dos combustíveis, implica um gasto de R$ 5 bilhões. Dobrar do Vale-Gás acrescentará mais R$ 2 bilhões nesta conta para os cofres públicos.
Com esses benefícios, o governo pretende desistir da proposta de subsidiar os estados que zerarem a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel e gás de cozinha.
Essa proposta, que era defendida no início do mês, foi aprovada pelo Senado e pela Câmara, a pedido do governo, mas não gerou efeito algum diante dos constantes aumentos aunciados pela Petrobras, em função da variação do preço no mercado internacional.