Presidente da Ferrari enfrenta nova disputa judicial com a mãe por herança da família Agnelli

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John Elkann, presidente da Ferrari, em evento de inauguração de uma unidade de testes da empresa - Daniele Mascolo - 21.jun.24/Reuters

O presidente da Ferrari e da Stellantis, John Elkann, enfrenta uma nova batalha judicial com sua mãe, Margherita Agnelli, depois que os advogados dela apresentaram na segunda-feira (29) o que afirmam ser uma alteração manuscrita no testamento do avô de Elkann, Gianni Agnelli, que morreu em 2003 aos 81 anos.

A nota, apresentada durante uma audiência em Turim, pode levantar questões sobre a propriedade da holding no topo da Exor, a empresa de investimentos da família Agnelli liderada por Elkann que controla a fabricante de carros esportivos Ferrari e é a principal investidora da Stellantis, fabricante da Fiat e Jeep.

Os advogados de Elkann dizem que o documento não é relevante.

A holding, chamada Dicembre, é propriedade dos três filhos do primeiro casamento de Margherita: Elkann e seus irmãos Lapo e Ginevra. Margherita está envolvida em uma disputa de herança com os três filhos sobre o espólio de Gianni desde sua morte.

A nota escrita à mão, datada de 20 de janeiro de 1998, foi apresentada, segundo seus advogados, como parte do processo civil movido por ela que está dividindo uma das famílias mais conhecidas da Itália. A Reuters também teve acesso a uma cópia do documento.

Na nota assinada, Gianni Agnelli declarou que sua participação de aproximadamente 25% na Dicembre deveria ser atribuída ao seu filho Edoardo, que morreu em 2000. Um documento separado de 1996 havia indicado que a participação deveria ir para John Elkann, seu neto —o que de fato aconteceu.

A equipe jurídica de John Elkann afirmou que o suposto novo documento não tem relação com os acordos firmados em 2004 sobre o espólio de Gianni Agnelli.

A nota foi encontrada durante uma investigação criminal paralela, feita pelo Ministério Público de Turim sobre suposta evasão fiscal que terminou este mês com Elkann concordando com um ano de serviço comunitário.

Quando o testamento de Gianni Agnelli foi aberto em fevereiro de 2003, os herdeiros tinham informações apenas relacionadas ao documento de 1996, argumentaram os advogados de Margherita Agnelli.

Como resultado, a viúva de Gianni, Marella Caracciolo, doou uma participação de 25,37% na Dicembre para Elkann, permitindo que ele obtivesse a maioria.

Os advogados de Margherita Agnelli afirmam que sua cliente e Marella Caracciolo deveriam ter mantido a parte da Dicembre destinada a Edoardo.

Ela herdou 1,2 bilhão de euros (R$ 7,5 bi) após a morte do pai, mas quer uma parte maior do espólio para os cinco filhos de seu segundo casamento.

“A gestão do espólio Agnelli foi estabelecida com o acordo de fevereiro de 2004, após o qual Margherita se retirou definitivamente do capital da Dicembre”, disseram os advogados de Elkann.

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