Pressão pela medalha e mudança de estratégia durante a prova: os detalhes por trás da conquista de Rayssa Leal
Rayssa Leal no pódio de skate — Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP
Rayssa Leal entrou nos Jogos de Paris-2024 como uma das principais esperanças de medalha do Brasil. Havia grande expectativa pelo ouro, o que representaria uma melhora em relação à prata de Tóquio-2020. Isso pode ser justificado pelo fato de a skatista ter disputado 24 competições internacionais ao longo do ciclo olímpico e ter se sagrado campeã em 14 oportunidades.
Porém, assim que a disputa na Praça da Concórdia teve início, o cenário parecia se desenhar em sentido oposto. Rayssa demonstrava ansiedade, cometia erros em manobras simples e, por pouco, não acabou eliminada de forma precoce. Avançou à final apenas em sétimo lugar.
— Acho que deixei o meu nervosismo bater um pouquinho. Fiquei muito chateada porque estava acertando as minhas linhas todas as vezes no treino, mas chegou na hora para valer e não acertei.
Rayssa teve duas horas para se acalmar e tentar escrever uma nova história na decisão. Os erros nas voltas até persistiram — e foram mais frequentes também entre as adversárias —, mas aí entrou em ação o treinador Felipe Gustavo. Faltando duas rodadas para o fim da prova, Rayssa ainda sonhava com a prata e, para isso, precisaria acertar uma manobra com alto grau de dificuldade.
— Como a manobra não saiu, fomos para a última rodada entendendo que precisávamos de uns 78 pontos para levar o bronze. E quisemos garantir a medalha com uma manobra boa, mas que dá uma nota mais baixa – revela o treinador.
A estratégia saiu como planejado, e Rayssa enfim pôde comemorar a conquista da segunda medalha olímpica de sua carreira. Aos 16 anos, a skatista brasileira viu sua vida se transformar por completo de Tóquio-2020 para cá. Palavras da própria atleta.
— Mudou tudo. Cresci dez centímetros só no primeiro ano do ciclo, entendi o peso das Olimpíadas e vim com outra mentalidade, outro foco. Senti que todo mundo ali queria se divertir, mas também buscava a medalha de ouro.
Em Tóquio-2020, o entendimento dos profissionais da seleção brasileira de skate é que Rayssa sequer tinha a dimensão de que estava em uma edição de Jogos Olímpicos. Parecia apenas mais uma competição. Dessa vez, tudo estava bem claro para a adolescente. Assim como, desde o ano passado, a skatista entende que precisa mudar a rotina de treinos e competições daqui para frente:
— Estou perdendo um pouco da minha adolescência em Imperatriz, as festas com os meus amigos e um pouco da escola. É muita viagem, muita atividade, muita prova para fazer. É muito doido.
Sendo assim, duas coisas são certas: Rayssa seguirá como principal nome do skate brasileiro no ciclo olímpico de Los Angeles-2028, mas terá uma rotina mais ajustada às suas necessidades.