Primeira-ministra da França renuncia após ano político marcado por crises

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A primeira-ministra Élisabeth Borne na Assembleia Nacional da França, em Paris - Sarah Meyssonnier - 22.nov.23/Reuters

por Ivan Finotti

A primeira-ministra da França, Élisabeth Borne, renunciou ao cargo na segunda-feira (8) após enfrentar um ano de turbulências na política. A informação foi confirmada pelo gabinete do presidente francês.

“Senhora primeira-ministra, querida Élisabeth Borne, seu trabalho a serviço da nossa nação tem sido exemplar todos os dias. Você implementou nosso projeto com a coragem, o compromisso e a determinação de mulheres do Estado. De todo o coração, obrigado”, escreveu o presidente da França, Emmanuel Macron, nas redes sociais.

A renúncia ocorre num momento em que Macron busca dar um novo impulso ao seu segundo mandato antes das eleições para o Parlamento europeu, em junho, e das Olimpíadas de Paris, em julho.

O presidente indicou no mês passado que faria uma remodelação do governo depois de um 2023 marcado por crises políticas impulsionadas por contestadas reformas da Previdência e das leis de migração.

Borne, aliás, esteve na linha de frente da primeira, e chegou a ser ameaçada de deposição no ápice das discussões, em março. Conhecida como a “dama de ferro” da França, ela havia sido nomeada em maio de 2022 e foi a segunda mulher primeira-ministra na história do país.

Sem ter maioria absoluta no Congresso, ela utilizou pelo menos 20 vezes o artigo 49.3 da Constituição —que permite que uma lei seja aprovada sem votação— para conseguir a adoção de textos orçamentais. Com isso, ganhou um segundo apelido, de “senhora 49,3”.

Outro importante momento político de Borne como primeira-ministra foi a nova lei da imigração. Impulsionado pelo ministro do interior, Gérald Darmanin, das fileiras da direita, o texto marcou uma aproximação sem precedentes entre o Executivo e a extrema direita na França.

O episódio fraturou o partido de Macron e seu governo. Alguns ministros cogitaram a ideia de renunciar se a lei fosse aprovada, incluindo Clément Beaune (Transportes) e Rima Abdul Malak (Cultura). Ao final, apenas Aurélien Rousseau (Saúde) saiu.

Na sua carta de demissão, publicada pela agência de notícias AFP, Borne considerou que é “mais necessário do que nunca continuar as reformas”. “Embora deva apresentar a demissão do meu governo, queria dizer o quanto tenho sido apaixonada por essa missão, guiada pela preocupação constante, que partilhamos, de alcançar resultados rápidos e tangíveis para os nossos cidadãos”.

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