Print mostra que tenente-coronel da PM dizia ter acesso e controle das redes sociais da esposa encontrada morta
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. — Foto: Reprodução
por g1
Um print de conversa obtido pela família da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, mostra que o tenente-coronel da PM Geraldo Neto afirmava ter acesso e controle sobre as redes sociais da esposa.
Gisele morreu com um tiro na cabeça na casa em que morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo, e a Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita.
Segundo o advogado dos familiares, José Miguel Silva, o print reforça a suspeita de controle e violência psicológica exercidos pelo marido.
Na mensagem, ele teria usado o próprio perfil para repreender um primo dela após supostamente ter visto a conversa dos dois no perfil da esposa. Ele afirmou que o homem estaria “conversando demais” com Gisele.
“Ele tinha acesso e total controle às redes sociais dela”, afirmou o advogado José Miguel Silva, ao g1. De acordo com ele, na conversa, o primo responde de forma cordial — ‘eu sou primo dela, a gente foi criado juntos, legal, vamos marcar um churrasco’ —, mas o marido encerra de forma ríspida: ‘não quero que fique de conversa’.”
O material, segundo a defesa da família, integra um conjunto de indícios que apontam para um relacionamento abusivo. O advogado afirma que Gisele era impedida de manter contato com familiares, de usar maquiagem, de frequentar academia e que insistia na separação.


Afastamento
O tenente-coronel Geraldo pediu afastamento do trabalho na Polícia Militar (PM).
A morte de Gisele ocorreu em 18 de fevereiro. O caso, que antes foi registrado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita pela Polícia Civil.
A informação sobre o afastamento de Geraldo foi confirmada na terça-feira (3) por meio de nota divulgada pela corporação. “A Polícia Militar informa que o tenente-coronel encontra-se afastado de suas funções, a pedido”, informa o comunicado.
Coronel fala em suicídio
Em seu depoimento inicial na delegacia que investiga o caso, Geraldo havia dito discutiu com Gisele quando falou que queria se separar. Ele contou que foi tomar banho e um minuto depois ouviu o barulho do disparo.

Quando abriu a porta, o coronel disse que encontrou a esposa caída na sala. Segundo Geraldo, ela estava ferida e sangrando na cabeça, segurando uma arma dele na mão. Em seguida, ele acionou as autoridades para pedir ajuda e contar o que aconteceu.
Mas a família de Gisele sempre contestou essa versão de suicídio. Parentes contaram no 8º Distrito Policial (DP), Brás, que o relacionamento dela com Geraldo era tóxico e a mulher sofria violência psicológica. Que ele a perseguia, a proibindo de usar perfumes, batom e salto alto. E que só poderia ir junto com ele à academia.
Sangue no box e tiro encostado
A perícia da Polícia Técnico-Científica usou luminol e encontrou sangue ainda não identificado no box do banheiro onde Geraldo havia dito que foi tomar banho antes de ocorrer o disparo. O laudo necroscópico ainda concluiu que o tiro que matou Gisele foi dado com o cano da arma encostado do lado direito da cabeça.
O exame residuográfico, que serve para detectar resquícios de pólvora, deu negativo para as mãos da soldado e também para as do tenente-coronel. A investigação realiza mais exames para saber quem apertou o gatilho.
O casal vivia junto desde 2024. A filha de Gisele, de sete anos, morava com eles, mas não estava no apartamento no momento do disparo que matou sua mãe.
Polícia avalia exumação

O 8º DP investiga todas as circunstâncias possíveis relacionadas a morte da soldado. Por esse motivo avalia se pedirá a exumação do corpo dela para sanar eventuais dúvidas que tem sobre como ela morreu. A nova perícia dependeria de autorização judicial.
Mesmo diante das incertezas que cercam a morte de Gisele, Geraldo ainda não é considerado investigado. A equipe de reportagem tenta contato com a defesa dele para comentar o assunto.
De acordo com o que o coronel disse no boletim de ocorrência do caso, as discussões entre ele e a esposa foi motivada por ciúmes dela. Geraldo falou que surgiram boatos na Corregedoria da PM de que ele teria amantes.
O coronel contou ainda que o casal passou a dormir em quartos separados. Sobre a arma dele, disse que a guardava no armário de um dos quartos.