Promotoria relata casos de tiro a curta distância e decapitação entre mortos de megaoperação no Rio
Corpos de homens mortos em operação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, nos complexos da Penha e do Alemão - Eduardo Anizelli - 29.out.25/Folhapress
O Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou ter observado dois casos de “lesões atípicas” entre os 121 mortos, sendo quatro policiais, da Operação Contenção, no dia 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão.
Em relatório da atuação técnica da Promotoria, enviado na quarta-feira (12) ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o órgão pontuou casos em que as lesões “destoavam das demais”.
Em um deles o corpo apresentava característica de disparo de arma de fogo a curta distância. No outro, o corpo possuía lesão por arma de fogo disparada a distância, mas também apresentava ferimento por decapitação, “produzido por instrumento cortante ou corto-contundente”.
Os nomes não foram divulgados, mas o caso de decapitação é o de Yago Ravel Rodrigues Rosário, 19. O corpo foi encontrado decapitado em área de mata da serra da Misericórdia. A cabeça de Yago foi encontrada pendurada entre dois galhos de uma árvore.
A análise técnica da Promotoria sugere, no documento, “análise minuciosa das imagens das câmeras corporais” dos agentes, além de análise do ambiente onde ocorreu o confronto. A equipe disse aguardar os laudos periciais e o resultado da identificação dos corpos.
O Ministério Público acompanhou de maneira independente a necropsia nos corpos, no IML (Instituto Médico Legal). A análise foi realizada pela Polícia Civil. Oito pessoas atuaram pela Promotoria, entre técnicos periciais, assistentes e médico legista.
Durante os três dias de trabalho, o órgão constatou que todos os 121 mortos eram do sexo masculino e que todos foram atingidos por armas de fogo. O padrão das lesões, segundo o relatório, era de disparos atingindo regiões do tórax, abdome e dorso. Muitos usavam uniformes camuflados, botas operacionais, coletes e luvas táticas.