Putin faz oferta de exploração mineral conjunta a Trump; entenda

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Donald Trump

Macron e Trump dão risada durante encontro na Casa Branca - Brian Snyder/Reuters

Na segunda-feira (24), dia em que a Guerra da Ucrânia completou três anos, o presidente Vladimir Putin fez uma oferta de exploração conjunta de minerais estratégicos e fornecimento de alumínio para os Estados Unidos, como parte da negociação tentando acabar com o conflito.

Com isso, o russo atravessa o caminho do rival Volodimir Zelenski, que está em difíceis tratativas semelhantes com Donald Trump, que pede US$ 500 bilhões (R$ 2,8 trilhões) em terras raras usadas em indústria de alta tecnologia e outros minerais ucranianos em troca do apoio que já deu e pode vir a dar a Kiev.

No começo da tarde de segunda-feira (24), Trump havia dito que esperava não só a paz, mas “grandes transações de desenvolvimento econômico com a Rússia”. Putin então reuniu-se com os ministros da área e, duas horas depois, anunciou sua proposta.

Hoje, não há negócios de monta entre empresas ocidentais e a Rússia, submetida a sanções devido à guerra. “Nós estamos prontos para oferecer a nossos parceiros americanos, e quando eu digo parceiros eu me refiro não só às estruturas administrativa e governamental, mas também empresas, se elas mostrarem interesse em trabalho conjunto”, disse Putin.

Além das cobiçadas terras raras, o russo falou especificamente sobre produzir alumínio em parceria com os EUA na região de Krasnoiarsk, na Sibéria. Ele disse que é possível direcionar 2 milhões de toneladas anuais para os americanos, voltando à situação do pré-guerra, quando a Rússia fornecia 15% do alumínio consumido pelos EUA.

Putin disse não se preocupar com o acordo que possa ser costurado por Trump e Zelenski. “Nós temos, sem dúvida, significativamente mais recursos desse tipo do que a Ucrânia”, afirmou.

O aspecto comercial da abordagem polêmica de Trump, que anulou toda a política americana para a guerra até aqui, tem sido reforçado. Negociadores russos dizem que há diversos acordos a serem feitos, apesar do temor de que Trump ou traia Putin, ou vise afastá-lo da aliada China, a principal rival estratégica de Washington.

Na Casa Branca, Trump disse também na segunda-feira (24) não se opor ao envio de uma força de paz europeia para salvaguardar um acordo de paz

Ele se encontrou com um dos entusiastas da proposta, o presidente francês, Emmanuel Macron, na primeira visita de um líder europeu desde que ele assumiu o governo, há pouco mais de um mês. Para Trump, que já disse que encerraria o conflito em um dia, a guerra pode acabar “em algumas semanas”.

O francês foi em missão de paz, por assim dizer, após duas semanas em que Trump praticamente rompeu com Zelenski e abriu negociações diretas com o russo Vladimir Putin acerca do fim do conflito —sem enviados de Kiev ou da Europa à mesa na Arábia Saudita, onde as conversas começaram.

O americano também havia dito que Zelenski era um “ditador sem eleições” e dispensável por obstruir acordos.

Na semana passada, o Kremlin disse que a presença de forças da Otan, a aliança militar liderada pelos EUA com 30 sócios europeus e o Canadá, era inaceitável. A proposta franco-britânica, vazada à imprensa, previa 30 mil soldados em cidades próximas, mas não na linha de frente a ser congelada.

Trump disse na segunda-feira (24) que Putin irá aceitar a força, caso ela seja estabelecida. Após as reações horrorizadas de líderes europeus ante os movimentos do republicano, Macron buscou pontos de consenso durante a fala conjunta a jornalistas.

Ele disse que o acordo de minerais de Trump “é uma boa ideia”, como Zelenski já havia indicado no fim de semana, após afirmar que não poderia “vender o país”.

Macron também apoiou o emprego dos US$ 300 bilhões (R$ 1,7 trilhão) em reservas tomadas dos russos na Europa para reconstruir a Ucrânia, conforme haviam sinalizado negociadores americanos. “Isso está sobre a mesa”, disse o francês, ressaltando que só seria legalmente correto usar os juros acumulados sobre os valores.

Tocando música para Trump, que sempre pede mais investimento europeu em defesa e cujo vice, J. D. Vance, sugeriu que os EUA podem retirar suas tropas do continente, Macron afirmou que tal despesa é necessária. Hoje, 8 dos 32 membros da Otan não cumprem a meta de 2% do PIB aplicados no setor.

A ofensiva europeia para tentar voltar ao jogo no tema da guerra continua nesta quinta-feira (27), quando o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, visitará Trump na Casa Branca.

O presidente americano, questionado sobre as perdas territoriais que ele mesmo já disse serem inevitáveis para Kiev, disse: “Vamos ver”. Hoje, Putin controla quase 20% da Ucrânia, contando aí os 7% representados pela Crimeia, anexada em 2014.

Trump disse que, “se tudo der certo”, visitará Moscou, “mas não a tempo do 9 de maio”, em referência à data na qual a Rússia comemora a vitória na Segunda Guerra Mundial. Putin comandará novamente um grande desfile militar, no qual deverão estar presentes o chinês Xi Jinping e líderes como Lula (PT).

O republicano não enviou ninguém ou participou virtualmente dos eventos marcando o terceiro aniversário do conflito, o maior na Europa desde a Segunda Guerra (1939-45). Mais cedo, ele e Macron estiveram juntos no Salão Oval em uma videoconferência com líderes do G7 da qual Zelenski participou.

O ucraniano disse, ao lado de líderes europeus de países médios que o visitaram nesta segunda em Kiev que quer “acabar com a guerra ainda neste ano”.

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