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Diante do silêncio geral chamo a atenção para o modo autossuficiente como o Banco Central brasileiro vem conduzindo sua política monetária, agora que está investido de uma autonomia plena. Os juízes do Supremo Tribunal, ao decidir as questões que lhes são submetidas, costumam arguir o privilégio de errar por último. Ganharam agora a companhia de uma outra instituição para desfrutar deste duvidoso poder.

A pandemia desencadeou mudanças importantes no modo como as pessoas trabalham e consomem, afetando os sistemas de produção e o funcionamento das cadeias logísticas. Tudo isto resultou em perturbações nos mercados de bens e serviços. Assim que as economias foram voltando à normalidade os sistemas de preços se desarranjaram. Depois de muitos anos de moderação a inflação voltou em todo o mundo.

No Brasil a inflação fechou 2021 em 10%, mesmo com a economia praticamente estagnada. Nossa renda por habitante hoje, em termos reais, está abaixo do nível de 2013 e o desemprego oscila em torno de 14%, o terceiro pior índice na lista das 42 principais economias do mundo.

Não é preciso ter formação de economista para reconhecer que nossa inflação não é resultado de excesso de demanda em relação à oferta, desequilibrio que deve ser combatido por meio da elevação dos juros.

Nossa inflação se deve ao aumento dos preços do petróleo, que são formados no mercado internacional, e dos custos de energia elétrica, devido à estiagem, além da desvalorização do real e da elevação dos preços dos alimentos em razão da demanda externa. Nada que a alta dos juros básicos possa resolver.

Esses mesmos fatores estão produzindo inflação em toda a parte. Nos Estados Unidos a alta dos preços ao consumidor chegou a 7,5% ao ano, no Reino Unido 5,4%, e na zona do euro, em média, 5%. Estamos diante de um fenômeno global que tem tudo para ser transitório. Todos estes países estão iniciando um ciclo de aperto da política monetária, mas em termos completamente diferentes dos padrões de nosso Banco Central.

Os Estados Unidos vão elevar seus juros básicos de 0,25% para 0,50% proximamente e prometem alguns aumentos do mesmo valor ao longo de dois anos, até chegar a 2% ao ano. O Banco da Inglaterra está se preparando para também subir os seus juros de 0,25% para 0,50%. O Banco Central Europeu ainda hesita em elevar os seus juros, próximos de zero, com receio de interferir na recuperação das suas economias.

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