Quanto maior o consumo de alimentos ultraprocessados, maior o risco de morte precoce, diz estudo
Cereais coloridos servidos no café da manhã - Joe Raedle/AFP
A cada 10% de calorias advindas de alimentos ultraprocessados na dieta, somam-se 2,7 pontos percentuais no risco de morte precoce. E o que já é ruim pode piorar: e se metade da energia da dieta vier desses produtos? Nos EUA e no Reino Unido, 14% das mortes prematuras entre adultos estão associadas a esse padrão alimentar —o que equivale a mais de 120 mil mortes anuais. No Brasil, a taxa de consumo dos ultraprocessados é significativamente menor, de 17,4%, mas os impactos, ainda assim, são significativos. E a tendência é de piora.
O estudo, publicado no periódico American Journal of Preventive Medicine, foi conduzido por pesquisadores da Fiocruz, da USP (Universidade de São Paulo), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), além de colegas de outros países: Chile, México, Canadá, Austrália, Colômbia, Reino Unido e Espanha, e foi feita com apoio do CNPq e da Fapesp.
O grupo analisou dados de quase 240 mil participantes e calculou o risco relativo de mortalidade geral associado ao consumo de ultraprocessados. A seguir, aplicou esse risco médio a dados de consumo alimentar e mortalidade de oito países: EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália, México, Chile, Brasil e Colômbia.
A classificação Nova, adotada pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, referência internacional, define ultraprocessados como formulações industriais compostas predominantemente por substâncias derivadas de alimentos ou sintetizadas —como amidos modificados, proteínas isoladas, óleos refinados e aditivos cosméticos. São projetados para serem palatáveis e de longa duração, mas tendem a ser nutricionalmente desequilibrados e a substituir alimentos in natura e preparações culinárias tradicionais.