Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem foi coordenador da segurança de Jair Bolsonaro em 2018 após o então candidato sofrer um atentado em Juiz de Fora. Foi nessa época que ganhou a confiança dos filhos de Bolsonaro.
Após a eleição, inicialmente, Ramagem foi escalado para um cargo de assessor especial no Palácio do Planalto até que, em julho de 2019, Bolsonaro o colocou no comando da Abin, que é subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), então chefiado pelo general Augusto Heleno.
Para chegar à chefia da Abin, Ramagem teve o apoio do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Aos fins de semana, ele costumava frequentar o Palácio do Alvorada levando informações estratégicas a Bolsonaro.
A confiança de Bolsonaro em Ramagem era tamanha que, menos de um ano depois, decidiu que iria promovê-lo novamente e colocá-lo na chefia da Polícia Federal. Na época, chegou a dar declarações de que a PF deveria produzir informações para que ele tomasse decisões.
O desejo de colocar Ramagem na PF foi o estopim para o rompimento de Sergio Moro (União Brasil-PR), que era ministro da Justiça, com Bolsonaro. Para Moro, empossar Ramagem como diretor-geral seria aparelhar a PF.
Moro deixou o governo causando alarido e, no fim, foi Alexandre de Moraes quem bloqueou a ida de Ramagem para a Polícia Federal. O ministro suspendeu a posse por ver ausência dos princípios da “impessoalidade, moralidade e interesse público”.
No final de 2020, segundo reportagem da revista “Época”, sob comando de Ramagem a Abin preparou relatório para subsidiar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para se defender no caso das rachadinhas. Objetivo era pedir a anulação da investigação.
Com o apoio de Bolsonaro, Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio de janeiro com 59 mil votos. Ele é citado como uma das opções do ex-presidente para disputar a prefeitura do Rio de Janeiro.
No Congresso, Ramagem compõe a tropa de choque de Bolsonaro. O ex-chefe da Abin ficou responsável por produzir o relatório paralela da CPMI que investiga os atos de 8 de Janeiro. Documento pediu o indiciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Justiça, Flávio Dino.