Ratinho causa mal-estar no SBT e emissora diz que repudia ofensas a Erika Hilton; deputada pede suspensão do programa

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Ratinho em seu documentário no SBT - Reproduçao/+SBT

por coluna Outro Canal, do F5

O SBT diz que está analisando medidas contra o apresentador Ratinho após ele ofender em seu programa, na última quarta-feira (11), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em nota, a empresa afirma que a fala de Ratinho não representa o pensamento da empresa.

“O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora”, diz a nota.

“As falas estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, concluiu o documento.

Segundo apurou a coluna, as falas de Ratinho causaram grande mal-estar na empresa. Muitos funcionários entenderam o ataque como desnecessário e prejudicial à imagem do SBT, especialmente com o público mais jovem, onde Erika tem grande eleitorado.

Diretores da empresa já conversaram com Ratinho na quinta-feira (12) sobre o assunto. O caso tem sido analisado com cuidado por Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos (1930-2024) e presidente do SBT, que tem boa relação com Ratinho.

Na quinta (12), Erika Hilton afirmou que vai processar Ratinho em R$ 10 milhões pos transfobia, de acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha. À coluna, Duda Salabert (PDT-MG), outra deputada trans, disse que acionou o Ministério Público contra Ratinho.

Ratinho questionou a escolha de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.

“Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”

Ratinho disse respeitar as pessoas que têm “comportamento diferente”. “Mas mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, completou, acrescentando pitadas machistas ao discurso. “Vocês pensam que a dor do parto é fácil?”

Ele declarou não ter nada contra a parlamentar de São Paulo e disse que ela fala bem e é “boa de prosa”. Porém, repetiu que a comissão deveria ser presidida por uma mulher não trans.

O apresentador citou também Pabllo Vittar, cantora e drag queen que já apareceu em rankings que elegem as mulheres mais bonitas. “Ele tem saco, gente. Muié não tem saco”.

Ratinho questionou a capacidade de Erika Hilton para compreender os problemas e os desafios femininos.

“Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar. Estão exagerando”, finalizou.

Erika Hilton pede que Ministério suspenda programa de Ratinho no SBT por 30 dias

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou que o Ministério das Comunicações suspenda a exibição, por 30 dias, do Programa do Ratinho, exibido pelo SBT diariamente. Ela alega que o apresentador Carlos “Ratinho” Massa cometeu crime ao vivo na edição da última quarta-feira (12).

Procurado pela coluna, Ratinho diz, através de sua assessoria, que não comenta casos judiciais. O SBT diz que suas falas não representam a opinião da emissora e que analisa o caso. O Ministério das Comunicações, por sua vez, confirma que recebeu a representação administrativa encaminhada pela deputada.

“A manifestação será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad), que fará a avaliação dos pontos apresentados, seguindo os trâmites administrativos e legais cabíveis”, diz nota enviada à coluna. “O Ministério das Comunicações reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e o cumprimento rigoroso da legislação vigente.”

Ratinho usou seu programa para falar sobre a escolha de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Ele alegou que ela não era digna do cargo por não ser mulher.

“Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”

Ratinho disse respeitar as pessoas que têm “comportamento diferente”. “Mas mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, completou, acrescentando pitadas machistas ao discurso. “Vocês pensam que a dor do parto é fácil?”

Ele declarou não ter nada contra a parlamentar de São Paulo e disse que ela fala bem e é “boa de prosa”. Porém, repetiu que a comissão deveria ser presidida por uma mulher não trans.

O apresentador citou também Pabllo Vittar, cantora e drag queen que já apareceu em rankings que elegem as mulheres mais bonitas. “Ele tem saco, gente. Muié não tem saco”.

Ratinho questionou a capacidade de Erika Hilton para compreender os problemas e os desafios femininos. “Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar. Estão exagerando”, finalizou.

No ofício, obtido pela coluna, Erika Hilton diz que houve uso de veículo de radiodifusão para propagar crimes contra a comunidade LGBTQIA+ e que o fato precisa ser respondido com vigor.

Erika lembra que não seria a primeira vez em que o SBT teria um programa suspenso. Em setembro de 2003, o Domingo Legal, então apresentado por Gugu Liberato (1959-2019), foi proibido de ir ao ar por uma semana por ter exibido uma entrevista forjada com membros do PCC (Primeiro Comando da Capital).

“As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, diz o documento.

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