As empresas de defesa estatais chinesas também têm fornecido às empresas de defesa do governo russo sancionadas outras tecnologias de uso duplo “que os militares de Moscou usam para continuar a guerra na Ucrânia”, diz o relatório, incluindo “equipamento de navegação, tecnologia de interferência e caça – peças de jato”.
As exportações de semicondutores da China para a Rússia também aumentaram consideravelmente desde 2021, acrescenta, com “centenas de milhões de dólares em semicondutores fabricados ou de marca americana fluindo para a Rússia”, apesar das pesadas sanções ocidentais e controles de exportação.
O relatório diz que as empresas chinesas estão, “provavelmente”, ajudando Moscou a fugir dessas sanções – embora seja “difícil determinar a extensão” dessa ajuda.
O texto diz ainda que a comunidade de inteligência não pode ter certeza se Pequim está interferindo deliberadamente na capacidade dos EUA de realizar verificações de controle de exportação, por meio de entrevistas e investigações, dentro da China.
O relatório aponta, no entanto, que a China “se tornou um parceiro econômico ainda mais crítico para a Rússia desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022”.
Um porta-voz da Embaixada da China em Washington disse que a China “mantém uma posição objetiva e justa” sobre o conflito.
“Na questão da Ucrânia, a China defende uma posição objetiva e justa, promove ativamente negociações de paz e desempenhou um papel construtivo na facilitação de uma solução política para a crise”, disse Liu Pengyu.
“A China não vende armas para as partes envolvidas na crise da Ucrânia e lida com prudência com a exportação de itens de uso duplo de acordo com as leis e regulamentos”, disse Liu em nota.
“A cooperação econômica e comercial China-Rússia é completamente honesta, não tem como alvo terceiros e deve estar livre de interrupção ou coerção por terceiros”, disse ele.
Os países estão usando sistemas de pagamento domésticos com mais frequência para transações, a fim de contornar os sistemas bancários ocidentais dos quais a Rússia foi isolada, diz o relatório, e a China tem aumentado suas importações de suprimentos russos de petróleo e gás.
Esses suprimentos foram amplamente proibidos pelos EUA e pela Europa em uma tentativa de cortar o baú de guerra da Rússia.
O relatório foi determinado pela Lei de Autorização de Inteligência FY2023 aprovada pelo Congresso e foi divulgado pelos democratas do Comitê de Inteligência da Câmara na última quinta-feira (27).
“Esta avaliação não confidencial, exigida pela Lei de Autorização de Inteligência do ano passado, detalha a extensão do apoio da China à invasão em andamento de Putin”, disse o deputado democrata Jim Himes, membro do Comitê de Inteligência da Câmara, em nota.
“A guerra da Rússia contra a Ucrânia foi possibilitada em grande parte pela disposição da China em apoiá-los, de maneira direta e indireta. Espero que este relatório deixe claro para Pequim que os Estados Unidos e o mundo saberão se tomarem outras medidas para permitir a invasão brutal de Putin”, conclui ele.
O governo Biden levantou repetidamente preocupações com a China sobre evidências sugerindo que empresas chinesas venderam equipamentos não letais à Rússia para uso na Ucrânia, mas autoridades americanas dizem que não viram até agora sinais de que a China forneceu armas ou ajuda militar letal para a Rússia.
Os EUA acreditam que, no início da guerra, a China pretendia vender armas letais à Rússia para uso na Ucrânia, disse um funcionário dos EUA. Mas a China reduziu significativamente esses planos à medida que a guerra avançava, disse essa pessoa – algo que o governo Biden considerou uma vitória.
A China reivindicou neutralidade sobre a guerra na Ucrânia e pediu paz no conflito. Mas Pequim também evitou criticar publicamente os esforços de guerra da Rússia e os dois países enfatizaram repetidamente sua cooperação, com o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro da Defesa chinês, Li Shangfu, declarando uma parceria militar “sem limites” após uma reunião em abril.